12 dezembro 2012

Indemnizações por despedimento

Eu volto a não ter medo de o dizer


Já aqui abordei este assunto várias vezes e, desde logo, quando esta intenção apareceu pela primeira vez. Mas é legítimo voltar a ele agora que o governo se apronta para concretizar mais este infamante retrocesso na legislação laboral e direitos dos trabalhadores que nenhumas fórmulas ou variações concretas poderão atenuar.
Entretanto, segundo a TSF, parece que o "PS acusa Governo de estar a criar «novo conflito social»", certamente esquecido de que esta medida estava na memorando que assinou e que a UGT, em sede concertação social, deu o seu acordo a esta alteração do fim de um mês de indemnização por cada ano de trabalho,  a pretexto de uma viciosa «harmonização».
E volto a repetir que esta é uma das muitas medidas que não justificaveis pela crise, que não têm qualquer influência sobre o défice e a dívida e nem sequer sobre a competitivade da economia portuguesa, apenas visando favorecer o patronato em detrimento clamoroso dos direitos dos trabalhadores e das suas condições para, por um tempo, enfrentar as sequelas do seu despedimento.
Calculo que haja democratas e pessoas de esquerda que, por medo de interpretações esquemáticas e ilegítimas, não sejam capazes de me acompanhar no lembrete que vem a seguir mas eu não tenho medo de insistir numa informação que não envolve nenhuma espécie de reabilitação do fascismo: é que juro que, no dia 24 de Abril de 1974, as indemnizações por despedimento já eram pelo menos de 15 dias por cada ano de antiguidade.
Isto não diz nada, repito, sobre qualquer bondade do fascismo mas diz muito sobre a dementada agressão aos trabalhadores a que desonrosamente se vinculam todos os que, de uma ou outra forma e descontadas coreografias verbais, apoiam esta punhalada de alto lá com ela.

Fala o governador da colónia ?

Si, porque no te callas ?


O senhor Selassie do FMI prossegue na atrevida senda de sucessivas declarações que, objectivamente, o transformam insuportavelmente num protagonista do debate político interno, o que poderá ter consequências que não sei se ele terá medido e, por isso, depois não se venha queixar do que levar em resposta. É certo que ele se deve sentir uma espécie de governador-geral da colónia mas faz mal em contar  que em Portugal todos vão interiorizar o comportamento de submissos e reverentes colonizados.

11 dezembro 2012

Privatização da TAP

Um filme já visto:
uns preparam, outros acabam



Para os poucos que forem capazes de estranhar que só se veja o PS, quanto à privatização da TAP, a discutir transparências, prazos e encaixes, recupero esta notícia de 2007 que ilustra que, quanto à questão de fundo, nenhuma divergência entre PS e PSD, só sobrando o velho campeonato sobre quem privatiza mais e "melhor".


E já agora outra maldade

Volta Sarkozy, estás
(quase) perdoado



Hollande e Merkel ontem em Oslo
(parcial de foto na pág. 2 do Público)

Sobre o mandato de Hollande,
 ler aqui esta opinião  na
Marianne.

A foto completa, que aliás entra 
na 1ª página de El País mostra os outros
 Chefes de Estado e de governo,
 sentadinhos, a aplaudir o par.

E assim foi possível que as imagens
 não retivessem para história
 apenas os titulares do poder formal na UE

(Rompuy, Barroso e Schultz) mas
também o poder de facto.

Em boas mãos

Sai uma maldade



10 dezembro 2012

Eu sei que o assunto é sério e grave...

... mas, por este andar, morre a expressão
«o último a sair que apague a luz»




Porque tristezas não resolvem crise...

... eles ficam felizes
com o (imerecido) Nobel


Em boa verdade, não se pode pedir aos mais altos responsáveis (responsáveis, sim, pelo que bem sabemos) europeus que mantenham invariavelmente ao longo de cada dia uma expressão séria e preocupada como a situação e os problemas existentes justificam. Por isso, aqui fica um gesto de compreensão por este seu momento de grande alegria a propósito de um Nobel cuja razão poucos perceberam. Que eles não possam ser acompanhados neste brinde alegre pelos milhões de desempregados e de pobres da União Europeia já é outro assunto, por favor não venham desconversar.

Rajoy e Bispos unidos

A velha Espanha
ainda mexe que se farta !




mais aqui

09 dezembro 2012

Para o seu domingo, a country de

Jamey Johnson & Alison Krauss



Aquela irresistível tentação

Louçã e a palavra de Belmiro


Em entrevista hoje ao Público, Francisco Louçã, embora referindo que vários partidos têm uma capacidade de actuação  que não é vulnerável à captação pelos sistema financeiro, não resiste a afirmar logo de seguida  (sublinhado meu): «Tenho muito orgulho em lembrar que Belmiro de Azevedo em entrevistas que deu dizia que já tinha financiado todos os partidos, excepto o BE».

Face a isto, cumpre-me  registar a grande devoção de Louçã pela palavra de Belmiro de Azevedo que, neste caso, é obviamente caluniosa para o PCP, ainda por cima numa matéria em que está na cara que o conhecido empresário tinha todo o interesse em não se ficar pelo financiamento do PS, do PSD e do CDS.

Passado tanto tempo, confesso que já não me lembro se na altura o PCP desmentiu a afirmação de Belmiro ou se lhe pagou justamente em desprezo. Mas lembro-me de, na Soeiro Pereira Gomes, em conversa de corredor ou em mesa de reunião, ter desabafado: «lá vamos ficar com a fama e nem sequer vimos a côr do dinheiro».

Siria

Até para os EUA 
não há bela sem senão


mais aqui

Série de 10 episódios

Oliver Stone e The Untold
Story of the United States




08 dezembro 2012

Porque hoje é sábado (302)

Laila Biali


A sugestão musical deste sábado incide
 na pianista e cantora de jazz canadiana
Laila Biali.








Sem pingo de vergonha

Ele sabe do que fala

Esta chamada na primeira página do Público despertou-me a infinita curiosidade de saber se o ministro Pedro Mota Soares estaria  entre os autores deste lancinante grito de alma. E, na página 13, lá estava que o ministro português declarou que « a União Europeia não pode ter uma política de apoio aos bancos, uma política de "nenhum banco para trás", e não canalizar dinheiro para as pessoas». Mas não se enervem: pode sempre acontecer que o ministro venha dizer que as suas afirmações foram descontextualizadas.

07 dezembro 2012

Nenhuma dúvida

Humor com total respeito
pela presunção de inocência

Qual Monte Branco, qual carapuça !. Uma fonte do MP confidenciou a «o tempo das cerejas» que a busca, feita a pedido de numerosas famílias em aflição,  visou procurar mapas e gráficos demonstrativos da sustentabilidade do Estado Social que Medina Carreira tenha sonegado nos seus apocalípticos comentários televisivos.

06 dezembro 2012

Outra morte

Goodbye Dave

Pare, leie e pense

Um arrepio na  alma
e um nó na garganta



O que a seguir é citado desta notícia do Público não são diz que diz ou zunzuns, são afirmações feitas por profissionais perfeitamente identificados: «Mães sem dinheiro para comprar leite em pó estão a alimentar bebés de poucos meses com leite de vaca, ou juntam mais água às fórmulas artificiais, o que pode prejudicar a saúde das crianças. Estes casos são do conhecimento dos serviços sociais da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, que cada vez mais atendem mães com “grandes carências”, a maior parte devido ao desemprego, como disse à agência Lusa a assistente social Fátima Xarepe.“Todos os dias recebemos pedidos de ajuda”, disse, explicando que os mais frequentes são para a compra de leite em pó, de medicamentos, como vitaminas ou vacinas que não constam do Plano Nacional de Vacinação, e produtos de higiene. Estas mães “fazem o melhor que podem”, disse Fátima Xarepe, que lamenta nem sempre a maternidade poder ajudar, nomeadamente no fornecimento de leite em pó, apesar de contar com o apoio da Associação de Ajuda ao Recém-Nascido (Banco do Bebé) e outras instituições particulares de solidariedade social. A pediatra Cristina Matos conhece esta realidade e as consequências da ingestão de leite de vaca antes de um ano de idade, como gastroenterites. “Estamos a recuar 50 anos”, disse à Lusa, acrescentando que são cada vez mais as mães que, para o leite em pó render, juntam mais água do que o devido. Isso mesmo confirmou a enfermeira Esmeralda, que consegue identificar o acréscimo excessivo de água ao leite em pó, principalmente através do atraso no crescimento do bebé. Segundo Fátima Xarepe, são mais de mil os pedidos de ajuda que os serviços sociais já receberam este ano, e que não se limitam à alimentação dos recém-nascidos. “Há grávidas que não vêm às consultas de vigilância por não terem dinheiro para os transportes, o que as coloca em risco, assim como aos bebés”, disse esta assistente social, que não tem dúvidas de que estes casos, cada vez mais graves e frequentes, vão aumentar por causa da crise. Estas profissionais sentem-se impotentes, apesar de tentarem fazer “o melhor” que sabem, pois, apesar de o serviço público de saúde ser gratuito para as grávidas, estas muitas vezes não conseguem assumir outras despesas, como é o caso dos transportes. “Há grávidas que vêm a pé de Chelas [o que pode demorar cerca de uma hora], porque não têm dinheiro para pagar o transporte”, disse. (...)»

Foi a pensar em coisas como estas e em muitas outras que, em recente conferência da Seara Nova, me atrevi a formular a ideia de «se esta política não for urgentemenete detida,o que se perfila é muito pior do que a soma das piores previsões parciais porque estas não exprimem a complexa realidade e consequências do encadeamento dos factores económicos e sociais e da suas dramáticas repercussões na vida do conjunto e de cada uma das vítimas desta política, em termos de instabilidade emocional, desespero, raiva, amargura e sofrimento».

Oscar Niemeyer (1908- 2012)

Niemeyer - a beleza das curvas,
a grandeza da consciência vertical


Aos 104 anos, desaparece o grande arquitecto que semeou beleza, audácia  e sonho por todo o mundo e  deixa-nos um comunista doce mas antes de quebrar que torcer. Soma grande para uma tristeza e pena maiores.

no Globo:

05 dezembro 2012

União Europeia ou...

... a outra face da
famosa prosperidade



informação completa aqui

Imagens, PSP e RTP

Perceberam ? Eu não !
A culpa até pode não ser de Nuno Santos mas da forma como a notícia das suas declarações na AR foi elaborada. O que é certo é que hoje no DN online se pode ler o seguinte:


«O ex-diretor de informação adianta que a 14 de novembro teve conhecimento, juntamente com os elementos da direção, de contactos por parte da PSP para visionar as imagens de forma informal. "Houve uma chamada de uma produtora que se dirigiu de maneira informal a um conjunto de pessoas todas elas membros da direção. Não se tratou de nenhuma decisão formal ou autorização expressa", declarou aos deputados.»

Repito o título: Perceberam ? Eu não ! Siga o folhetim porque está visto que nada disto é para perceber ou então é para perceber em pinguinhas muito vagarosas.

o meu palpite:
alguém na RTP tinha a bateria
da cultura democrática desligada,
não se apercebeu da gravidade
da pretensão da PSP
a campaínha de alarme
não tocou no seu cérebro.

04 dezembro 2012

E é colunista do "Expresso" (*) !!!

Momento recreativo ou
ai, filho, queres uma chupeta ?


Graças ao Tiago Mota Saraiva («cinco dias») descubro no Expresso esta maravilha do queque e palerma acima retratado: 
1. Caminhava eu, tranquilamente, pela Avenida da Liberdade em Lisboa, quando me deparo com um cartaz em tons vermelhos com as palavras de ordem da mensagem comunista " exploração capitalista", "desigualdades", e por aí adiante. Julguei tratar-se de mais um (banal) cartaz do PCP, dos muitos que se encontram espalhados pelas ruas de todas as cidades portuguesas. Mas não: aquele cartaz revelava algo especial. Aquele cartaz sinalizava a localização da sede do partido comunista português. E perguntam os caríssimos leitores: a sede do PCP situa-se num edifício modesto, economicamente contido, distante dos centros de lazer "pequeno-burgueses" e das lojas símbolos do capitalismo selvagem? O leitor mais incauto responderá de imediato: é evidente, os comunistas, esses verdadeiros defensores dos interesses dos trabalhadores, jamais aceitariam trabalhar na mesma rua do que os "porcos capitalistas" que tanto censuram. Lamento desapontá-lo, ao quebrar porventura as suas crenças de infância, mas os dirigentes comunistas têm hábitos e práticas de burgueses. Diz-se que o PCP é um partido ortodoxo - conclui que tal afirmação não é inteiramente correta. O Partido Comunista é, pelo contrário, um partido que revela uma notável e peculiar heterodoxia - tem um discurso pró-proletariado, de defesa dos trabalhadores e da democracia social, mas simultaneamente os seus dirigentes têm hábitos de burgueses. Por isso é que o partido comunista será, cada vez mais, um partido marginal no quadro político-partidário português.
2. Pois bem, vamos aos factos. O Partido Comunista tem a sua sede no dos edifícios mais luxuosos e caros da Avenida da Liberdade, praticamente ao lado da loja de acesso restritíssimo que é a Prada e da Gucci - lojas em que só os "manhosos" dos grandes capitalistas poderão adquirir produtos. O PCP convive, pois, lado a lado com os dois símbolos da "alta finança", do "grande capital", na principal Avenida de Lisboa.
(...)


Como se compreenderá, não vou explicar ao «piqueno» em que rua fica a sede do PCP, nem quando a Organização Regional de Lisboa se instalou no Hotel Vitória, nem que o PCP não escolhe vizinhos muito menos ainda quando chegam vinte anos depois. A modos de chupeta, apenas lhe vou oferecer a indicação de que, na revista 2 do Público do penúltimo domingo, poderá encontrar uma interessante «crónica urbana» de Alexandra Prado Coelho que conta o essencial sobre a história do Hotel Vitória.

(*) Registe-se que, ao longo de toda a vida do Expresso sempre foram raríssimos os colunistas comunistas e que hoje não há nenhum. É o que faz o PCP, ou a sua área, serem consabidamente um «deserto de valores», pois então.

Começa a ser demais !

Aprendam a falar, bolas !

O primeiro-ministro disse o que disse na entrevista à TVI sobre uma nova repartição do esforço das famílias e do Estado no que toca ao financiamento do ensino secundário, existe a gravação vídeo  que não consente nenhuma outra interpretação se não a que estava a atirar o barro à parede para a introdução de propinas e, no entanto, veio depois dizer que foi mal interpretado.
O ministro das Finanças disse o que disse na AR sobre a extensão a Portugal das medidas que foram concedidas à Grécia, existem as gravações áudio e vídeo que não consentem nenhuma outra interpretação e, no  entanto,  agora vem dizer que as suas palavras foram  mal interpretadas e  descontextualizadas.
Bastava um módico de seriedade e respeito pela verdade para que, pura e simplesmente, admitissem que tinham errado ou se tinham precipitado, primeira forma. Mas não, não resistem a tomar-nos a todos por tolos. Até nisto, estamos fartos !

Falando de cassetes

Ainda não há pedidos

Para que não digam que não tenho sentido de humor, aqui acolho tranquilamente a imagem ao lado que num blogue foi considerado um «momento-maravilha», embora a imagem diga o contrário das interpretações correntes, ou seja, se Jerónimo de Sousa estivesse a debitar uma cassete, o computador não estaria a dizer para inserir uma. Aproveito entretanto para informar que, na caixa respectiva do «jugular» deixei este comentário: «Informo todos os velhos ou novos críticos da chamada cassete dos comunistas ou do PCP que, na época mais tranquila do Natal, estou à vossa disposição para, desde que me dêem meia hora para cada um, escrever para qualquer outro partido português, um texto ilustrando as suas - nunca reparadas e sempre ignoradas - cassetes.»

Até agora não há pedidos nem encomendas.

03 dezembro 2012

Um post de Daniel Oliveira

Um péssimo arranque




Um post de Daniel Oliveira no «arrastão», substancialmente dedicado a questão do peso dos funcionários nas direcções partidárias - matéria que talvez discuta em outra altura - arranca, quanto a mim, espantosamente, assim (sublinhados meus):

«Quando vi que o Congresso do PCP começava numa sexta-feira, de dia, não pude deixar de pensar: como pode um partido político juntar os delegados a um congresso num dia de semana? Só de uma forma: se uma parte significativa desses delegados trabalharem para o partido, forem eleitos para cargos políticos com disponibilidade a tempo inteiro ou forem assalariados de organizações que lhe são próximas. ».

Sobre isto, apenas quero deixar quatro notas:

1. Como é sabido, o que não têm faltado são manifestações promovidas pelo movimento sindical em dia de trabalho (14 de Novembro foi a última e até contou  com afluentes de outros movimentos,  e também manifestações «inorgânicas» em iguais dias de trabalho e nunca vi Daniel Oliveira sentenciar que isso só era possível porque parte significativa dos participantes dependia financeiramente dos sindicatos ou de quem quer que fosse.

2. Daniel Oliveira parece ignorar que mesmo os que são trabalhadores por conta de outrem podem, ao abrigo da legislação em vigor, pedir dispensa de um dia de trabalho e descontá-los nas férias.

3. Ao longo de três décadas, assisti a muitas eleições de delegados a Congressos do PCP e nunca vi as candidaturas de delegados serem justificadas pela disponibilidade resultante das situações profissionais elencadas por Daniel Oliveira.

4. De momento, não tenho à mão  os elementos probatórios mas aposto dobrado contra singelo que a maioria dos delegados ao XIX Congresso do PCP não corresponde aos perfis profissionais desenhados por Daniel Oliveira. E, ainda que correspondessem, é saber muito pouco do «povo comunista» supor que isso seria qualquer séria condicionante à sua liberdade e vontade.

Fernanda Câncio ou...

... ai que afirmações tão graves !


No DN de hoje, a incontestada criatividade da jornalista Fernanda Câncio, misturando declarações responsáveis com desabafos soltos de militantes apanhados ao acaso, consegue apresentar o PCP como um partido que diz as coisas (alegadamente) mais pavorosas mas que são misteriosamente «desculpadas».

Por ora, retenho e comento duas (sublinhados meus) invocadas por Fernanda Câncio:

- a primeira é que  « se um congresso socialista ou social-democrata incluisse no manual do bom militante a leitura diária [???!!!] do Povo Livre  ou do Acção Socialista qual não seria a risota ?».

A isto respondo educada e serenamente que, mesmo deixando de lado que não creio que o Avante! seja comparável em termos jornalísticos com as publicações citadas do PSD e do PS e sublinhando que na prosa de F.C. «manual», «bom militante» e «leitura diária» são deturpações e caricaturas nada inocentes, não percebo qual é a extranheza por o PCP, que nisso investe energias e recursos, apele aos seus militantes para que leiam a imprensa partidária como instrumento útil para a sua acção e meio não exclusivo de informação.

- a segunda é que «é imaginável que o líder de outro partido dissesse, como disse ontem Jerónimo, «com ou sem eleições, nos momentos mais difíceis, o PCP lá estará», sem que ninguém lhe perguntasse que quer dizer com isso?»

A isto, de forma igualmente educada e serena, respondo que provavelmente ninguém lhe perguntou «que queria dizer com isso» porque, sensatamente, não quis passar por pouco atento ou inteligente, uma vez que a frase fala por si, diz o que diz cristalinamente, não permite mais do que a interpretação óbvia de que, havendo ou não eleições, em eleições ou fora delas, nos momentos difíceis, o PCP lá estará na luta, ou seja continuará fiel à sua identidade e natureza de partido que conjuga a sua representação institucional e intervenção eleitoral com uma intervenção quotidiana na sociedade  portuguesa.

Entretanto, se Fernanda Câncio está de facto interessado em coisas que passam sem que ninguém repare ou critique, deixo-lhe aqui uma pista para uma sua peça de reportagem. É que apesar de eu ter escrito sobre isso há mais de 15 anos no Semanário, ainda hoje oficialmente continua em vigor no PSD, um Regulamento de Disciplina (ler aqui) que faz das tão difamadas regras internas do PCP uma brincadeira de querubins.



02 dezembro 2012

XIX Congresso do PCP

Hoje fim de Congresso,
amanhã de novo na luta



(...)

Por aqui perpassou a confiança.
Numa situação dura como punhos,
quando os trabalhadores, o povo
 português e o país sofrem o
vendaval destrutivo e arrasador
da política de direita deste governo,
 nós afirmamos:
Nada está perdido para todo o sempre.
Quando os trabalhadores e as
populações intensificaram e
alargaram a luta, o governo abanou.
 Se essa luta crescer, o governo
 será derrotado. E contem com este
Partido que, com ou sem eleições,
 nos momentos mais difíceis lá estará,
sempre e sempre como força de combate,
como força portadora da esperança
e da alternativa, com a a convicção
 de que sim é possível uma vida melhor
 num Portugal com futuro.
(...)

no encerramento do Congresso

O socialismo por que luta o PCP

Já lá estava mas, se não
leram antes, leiam agora !

«(...) 2. Para alcançar tais objectivos, o PCP aponta como características da sociedade socialista em Portugal:

– no sistema político, o poder dos trabalhadores, a permanente fiscalização da actividade dos órgãos do Estado e o aprofundamento das formas de participação popular; a democratização de toda a vida nacional, a garantia do exercício das liberdades democráticas, incluindo a liberdade de imprensa e de formação de partidos políticos, a protecção na ordem jurídica dos direitos dos cidadãos, o respeito por opiniões, interesses sociais e aspirações diferenciadas e pelas crenças religiosas e a prática do culto, a realização de eleições com a observância estrita da legalidade pelos órgãos do poder, a intervenção e participação das massas trabalhadoras na direcção política e económica do País através dos órgãos de soberania, do Poder Local democrático e das organizações de classe, sindicais, populares, políticas e outras;
– na organização económica, a propriedade social sobre os principais meios de produção, uma direcção planificada da economia combinada com a iniciativa e directa intervenção das unidades de produção e dos trabalhadores, a coexistência de formas de organização estatais, autogeridas, cooperativas, colectivas, familiares e individuais, com empresas privadas de diversa dimensão, a realização completa e definitiva da Reforma Agrária com inteiro respeito pela vontade dos trabalhadores e dos agricultores, a consideração do papel do mercado, o desenvolvimento harmonioso dos recursos e sectores da economia nacional e de todas as regiões, considerando o impacto ambiental dos planos de desenvolvimento, a dinâmica e eficácia da economia baseada nas melhores realizações do progresso cientifico-técnico;
– no plano social, a libertação dos trabalhadores de todas as formas de opressão e exploração, o pleno emprego, a retribuição de cada um segundo o seu trabalho, o direito ao trabalho com relevo para a garantia do primeiro emprego aos jovens, a garantia dos estímulos materiais no desenvolvimento da produção, o respeito da propriedade individual resultante do trabalho próprio, a edificação de relações sociais baseadas no respeito pela dignidade e personalidade de cada cidadão, o desenvolvimento dos serviços sociais, a solução do problema da habitação, a generalização da prática desportiva e de uma saudável ocupação dos tempos livres, a defesa do meio ambiente, a erradicação dos grandes flagelos sociais como a fome, o analfabetismo, a miséria, a poluição, a droga, a prostituição, o tráfico de seres humanos, o alcoolismo e a criminalidade;
– no plano cultural, a transformação da cultura em património, instrumento e actividade de todo o povo, o progresso da ciência e da técnica, a expansão da criação artística, o estímulo à criatividade, o pleno acesso ao ensino e um elevado nível de democracia cultural resultante da conjugação permanente da política das instituições do Estado socialista com a iniciativa, a participação e a actividade criadora individual e colectiva;
– no plano ético, a formação da consciência social e individual em conformidade com os ideais da liberdade, dos deveres cívicos, do respeito pelo ser humano e pela natureza, da solidariedade, amizade e paz. »
(in Programa do PCP)

Louvor da transparência

Quem são os delegados
ao XIX Congresso do PCP




Total: 1241; homens 69,9%; mulheres 30,1%; operários e empregados 56,6%; idades- -21 anos 23; 21-30 anos 139; 31-40 anos 258; 41-50 anos 211; 51-64 anos 447; + 64 anos 159; 65% são dirigentes de movimentos e organizações de massas, destacando-se 22,7% que são membros de comissões de trabalhadores, dirigentes e delegados sindicais; 39,9%  são eleitos em diversos órgãos do poder local e central.

Por mim, registo com especial satisfação que mais de metade dos delegados ou ainda não tinha nascido ou tinha no máximo 12 anos de idade em 25 de Abril de 1974.


Nem é preciso ser o PCP

O DN desmente o DN



O DN noticia em título que «No dia em que homenageou Cunhal, o PCP traçou metas que não incluem nem o PS, nem BE nem euro» e, em editorial, consegue referir foi defendido m «governode esquerda «patriótico e internacionalista» co o PCP, mas sem socialistas e bloquistas».

Ora acontece que, no corpo da notícia é o próprio DN que refere que o que Agostinho Lopes defendeu foi a necessidade de um governo de esquerda «preparar o país para a reconfiguração da zona euro, nomeadamente a saída da união económica e monetária, por decisão própria ou crise na União Europeia, salvaguardando os interesses de Portugal». 

É também o próprio DN que refere que A. Lopes salientou que «há duas ilusões a evitar: a de que é possível uma política alternativa coma manutenção do euro e mais federalismo (…) e a ideia de que tudo se resolve com uma saída pura e simples do euro, qualquer que seja a forma como se sai e as condições de saída».

Já quanto à atribuição exclusão pura e simples do PS e do BE [??!!!] de uma alternativa de governo, aguardo ansioso que o DN forneça aos seus leitores qualquer declaração autêntica de dirigentes do PCP que autorizem semelhante dedução ou conclusão.
Se saber ler é bom, saber entender ainda é melhor.

01 dezembro 2012

Entre muitas outras

A ler com atenção


Agostinho Lopes, Bernardino Soares e
Carlos Carvalhas hoje no Congresso do PCP

Vejam lá se está bem assim

Um adjectivo só para o PCP


O editorial do DN de hoje , dedicado ao Congresso do PCP, e de feição apesar de tudo moderada, intitula-se «o partido prevísivel». O editorial obviamente não se dá ao trabalho de me explicar e demonstrar em que é que o PSD, o CDS, o PS e o BE são imprevísiveis, coisa que me dava jeito porque eu, em 90% dos casos, consigo sempre prever o seu discurso, atitudes e orientações.

De qualquer modo,   atrevo-me a imaginar uma notícia de jornal sobre a abertura do Congresso do PCP que teria poupado o PCP a este labéu de «partido prevísivel». Rezaria assim :

"FINALMENTE, UM PARTIDO IMPREVÍSIVEL-
Jerónimo anuncia viragem de 180 graus na política do PCP


Talvez sinal dos tempos que vivemos, o «impossível» ou «imprevísivel» aconteceu ontem na abertura do XIX Congresso do PCP com uma fria e surpreendida reacção dos delegados ao discurso de abertura do Secretário-geral. 

Com efeito, o primeiro sinal foi logo dado no quinto parágrafo do longo discurso de Jerónimo de Sousa quando este afirmou que «nos dias de hoje, ser revolucionário e consequentemente de esquerda não é construir um mundo imaginário de objectivos que se chocam com a realidade mas sim ter em conta e promover as adaptações necessárias aos factos consumados por mais que tenhamos lutado contra eles e os tenhamos considerado indesejáveis e condenáveis».

Mais à frente, uma corrente gelada percorreu o Congresso quando Jerónimo de Sousa explicou que «perante os perigos imensos e o terrível processo de empobrecimento nacional contido nas orientações e medidas governamentais, a grande e  realista tarefa e objectivo não pode ser a urgente derrota desta política e deste governo mas apenas a contenção de alguns dos seus aspectos mais gravosos,  não pode ser a recusa global do memorando com a troika mas a conquista dos ajustamentos e rectificações possíveis».
E, logo a seguir, numa declaração que deve ter provocado calafrios na delegação da CGTP que assistia aos trabalhos, o Secretário-geral do PCP, embora reafirmando a solidariedade do PCP com as lutas dos trabalhadores, salientou ser necessário que «a par delas, seja dada uma nova centralidade ao diálogo na concertação social».

Também em matéria de alternativa política, o Secretário-geral do PCP surpreendeu os delegados ao afirmar que «na situação de emergência nacional que vivemos e com vista à conquista de um futuro governo patriótico e de esquerda, o PCP está disponível para começar do zero o seu diálogo com o PS, esquecendo todas as medidas gravosas adoptadas nos governos de Sócrates e todos os acordos e convergências já verificados entre o PS e o actual governo, não pretendendo colocar em cima da mesa de eventuais negociações com o PS a questão da revogação dessas medidas já entradas em vigor».

Ao intervalo, as conversas dos delegados e as expressões destes faziam prever uma sua viva contestação  na sessão da tarde a esta anunciada viragem na orientação do PCP que, por esta via e ao menos por uma vez, o transformaram finalmente num «partido imprevísivel.»


Porque hoje é sábado (301)

Jana Herzen

A sugestão musical de hoje convida-vos
a conhecer e ouvir a cantora norte-americana
de folk e jazz Jana Herzen,
cujo último álbum se intitula
Passion of a Lonely Heart.




30 novembro 2012

Ideias fortes para a mudança

Em nome da luta,
da esperança e de Portugal

Jerónimo de Sousa, hoje, na abertura 
do XIX Congreesso do PCP

«(...)A urgência de uma ruptura com esta política, de uma mudança na vida nacional que abra caminho à construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, constitui um imperativo nacional, uma condição para assegurar um Portugal de justiça social e progresso, um país soberano e independente. 

Uma política que é não só necessária, como possível se cada um tomar em suas mãos a vontade de a concretizar e de lhe dar sentido.

Uma política patriótica e de esquerda que coloca como tarefa prioritária o combate à profunda crise económica e social que atravessa o País e que pressupõe dar uma resposta imediata em seis direcções essenciais:

- Rejeição do Pacto de Agressão, contrapondo a renegociação da dívida de acordo com os interesses nacionais, desamarrando o país da submissão e colonização a que está sujeito.

- Recentrar todo o esforço da política económica e financeira e do investimento do país na promoção e desenvolvimento da produção e riqueza nacionais rantia de uma justa distribuição da riqueza criada.

- Alteração radical da política fiscal, rompendo com o escandaloso favorecimento do grande capital económico e financeiro.

- Administração e serviços públicos ao serviço do país capazes de garantir o direito à saúde, à educação, à protecção social dos portugueses.

- A recuperação pelo Estado do comando democrático da economia, pondo fim às privatizações e garantindo a efectiva subordinação do poder económico ao poder político.

- Assegurar a libertação do país das imposições supranacionais de política económica, social e financeira, contrárias ao interesse do desenvolvimento do país.

Seis direcções essenciais que poderíamos sintetizar em três grandes ideias:

Resgastar o país da teia da submissão e dependência;

Recuperar para o país o que é do país, os seus recursos, os seus sectores e empresas estratégicas, o seu direito ao crescimento económico e ao desenvolvimento;

Devolver aos trabalhadores e ao povo os seus salários, rendimentos e direitos sociais, indispensáveis a uma vida digna.

Uma política patriótica e de esquerda que não basta ser enunciada, precisa de ganhar vida e expressão com um governo que com ela esteja comprometido e que a execute. 

Uma política patriótica e de esquerda que precisa de um governo patriótico e de esquerda para a concretizar.

Uma política ao serviço do povo e do país que exige desde logo a derrota definitiva deste governo e a sua demissão.

Uma demissão que se exige e impõe não para que da sua derrota e demissão resulte, à margem da decisão do povo, uma outra solução governativa para continuar a mesma política de direita, como alguns já congeminam, mas para abrir com a sua derrota e demissão espaço a uma solução de mudança e de ruptura com essa política.

Derrota e demissão que em toda e qualquer circunstância exige devolver ao povo a decisão sobre o futuro do país com a realização de eleições antecipadas.`

Demissão e eleições antecipadas que são, neste quadro, a saída legítima e necessária para interromper o caminho de desastre do país que está em curso. 

Uma solução que não prescinde, antes exige a continuação e reforço da luta. Dessa luta que é decisiva não só para travar a presente ofensiva, como a libertação do país desta desastrosa política. 

O País não está condenado ao ciclo vicioso do rotativismo da alternância sem alternativa e não se limita, nem esgota no actual quadro político e partidário e muito menos se confina aos partidos da troika, subscritores do Pacto de Agressão. 

Como o PCP, há centenas de milhar de patriotas e democratas, centenas de milhar de trabalhadores e de outros portugueses, centenas de organizações sociais e de massas que sabem que é tempo de pôr termo a esta política, que é possível um outro caminho, que olham com esperança essa profunda aspiração de ver no país uma política patriótica e de esquerda.

É a todos esses portugueses – trabalhadores e intelectuais, empresários e agricultores, jovens e mulheres, reformados e quadros técnicos, católicos e não católicos, com ou sem convicções religiosas, independentes ou com filiação partidária; a todas essas organizações de classe e de massas – organizações sindicais, associações culturais; movimento associativo, escolas e universidades, comunidades cientificas e religiosas, instituições sociais e organizações sócio-profissionais; aos sectores e forças progressistas e de esquerda sincera e genuinamente interessados em romper com o ciclo da alternância que perpetua a política de ruína nacional, que o PCP se dirige a partir do seu XIX Congresso:  Está na mão do povo português, da sua vontade democrática, do seu brio patriótico, da sua identificação com os valores de Abril, da sua determinação em construir uma outra política. Uma política que dê uma oportunidade ao país de sobreviver como nação soberana, de assegurar uma vida digna aos trabalhadores e ao povo num Portugal com futuro.

A todos dizemos podem contar com o PCP, a sua coragem e determinação, a sua coerência e compromisso com os interesses nacionais, a sua dedicação e entrega na luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e de todas as camadas anti-monopolistas. 

É a todos eles que o PCP se dirigirá no futuro imediato para, em torno de uma política patriótica e de esquerda, ampliar no país a exigência de um outro rumo e construir a base social e política que lhe dê concretização. 

Nós antes de saber de um governo com quem, dizemos um governo para quê e para quem! No actual quadro de arrumação e expressão das forças políticas, a alternativa. política está em construção.
Se há quem pense que a sociedade é uma realidade imutável, desengane-se. É uma realidade em movimento. Ninguém, nenhum partido se pode julgar dono da vontade maioritária dos portugueses. Ninguém, nenhum partido tem conseguido impedir que muitos dos seus apoiantes ou votantes integrem connosco a corrente de protesto e luta onde alicerçará a construção da alternativa! (...)»