31 dezembro 2016

Na passagem do ano com

Ella Fitzgerald



Boas surpresas

E assim escreveu um
ex-assessor para assuntos constitucionais de Cavaco Silva


«(...) O segundo eixo estratégico, centrado nas aventuras armadas de democratização do mundo islâmico, também fracassou. As “primaveras árabes” terminaram num flop, com um total roll back no Egito e a disseminação de guerras civis que, provocando centenas de milhares de mortos, destruíram o Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, convertendo-os em “fábricas de terroristas”. A par de um êxodo “bíblico” de refugiados e imigrantes que inundaram a Europa, os EUA alimentaram “ninhos de vespas” jihadistas nesses teatros de guerra, armando grupos salafistas pró-sauditas. Nasceu neste melting pot um novo tipo de terrorismo islâmico, de uma crueldade inédita desde os tempos de Tamerlão que migrou de um Levante em chamas para explodir nas ruas do Ocidente. (...)
 Alepo é o símbolo da derrota desses obscuros jogos de poder, em que os EUA e a UE estiveram ao lado de jihadistas e da filial síria da Al-Qaeda para combater Putin, esquecendo que, sem a intervenção russa, a bandeira do ISIS flutuaria em Dama» (...)

P.S. C
arlos Blanco de Morais é Professor na Faculdade de Direito de Lisboa, foi juiz do TC e assessor de Cavaco Silva para assuntos constitucionais.

mais aqui (para quem tiver acesso)


Porque hoje é sábado ( )

 Margo Price

A sugestão musical deste sábado vai para
a cantora norte-americana Margo Price




29 dezembro 2016

Um ponto de vista


«The sense of disillusionment white American liberals woke up with on Nov. 9 was powerful enough to taint the entire year with a sense of doom. So many illusions were shattered by the election of Donald Trump: about the media, polling, the Democrats’ vaunted ground game, the fundamental character of our fellow citizens, the viability of the American experiment. Even if the first 10 months and eight days of 2016 had been an era of unbounded inspiration and hope, the impact of Donald Trump’s election would have outweighed them, reducing our optimism to a historical footnote.»
Mais aqui

23 dezembro 2016

No «Público» de hoje

Mais um serviço
público de Manuel Loff



23 de Dezembro de 2016, 6:12

"Do homem considerado em 2014 pela revista norte-americana Foreign Policy como um dos 100 mais influentes “pensadores globais”, o mais profundo que se lhe conhece são citações de Baden-Powell e exemplos do seu passado de escuteiro com que preenche os seus discursos."
aqui para quem tiver acesso

22 dezembro 2016

Podemos estar cansados disto...

... mas há revistas
americanas que não se calam !

The Electoral College Desecrates
Democracy—Especially This Time

Trump may be the president-elect. But he has no mandate.

By John Nichols
em «The Nation»
December 20, 2016





The Electoral College was created 229 years ago as a check and balance against popular sovereignty. And, with its formal endorsement of Donald Trump for the presidency, this absurd anachronism has once again completed its mission of desecrating democracy.
As of Monday afternoon, the actual vote count in the race for the presidency was: Democrat Hillary Clinton 65,844,594, Republican Donald Trump 62,979,616. That’s a 2,864,978 popular-vote victory. Yet, when the last of the electors from the 50 states and the District of Columbia had completed their quadrennial mission early Monday evening, the Electoral College vote was: Trump 304, Clinton 227.
So-called “faithless” electors split from Trump and Clinton, casting votes for Vermont Senator Bernie Sanders, former secretary of state Colin Powell, Ohio Governor John Kasich, former congressman Ron Paul, and Native American elder (and Dakota Access Pipeline critic) Faith Spotted Eagle.
The Electoral College’a voting for Trump was accompanied by shouts of “Shame!” in states across the country. “These unprecedented protests made clear that Donald Trump lost the popular vote and has no real mandate,” explained the Progressive Change Campaign Committee’s Adam Green. “Today’s show of resistance reminded the political world that Trump does not represent the will of the people—and it will embolden Democrats to fight Trump as he sides with big international corporations at the expense of American workers.”
By most reasonable electoral measures, Clinton’s clear popular-vote victory should have made her president. But the Electoral College guards against reasonable measures. Because of decisions made more than two centuries ago by a small group of white men who were not enthusiastic about democracy, Trump’s Electoral College advantage trumps Clinton’s popular-vote win.




It does not work that way in other countries. It does not work that way in contests in states across the United States, where the candidates who secure the most votes win governorships and mayoralties, seats in the US Senate and House of Representatives, and positions on city councils, county boards, village boards, town boards, school boards, and drainage commissions.
But it does work this way for president. As a result, American presidents can be “elected” without winning the most votes—or anything akin to a mandate.
Such is the case with Donald Trump.
Consider the numbers:
  • 53.9 percent of Americans who cast ballots chose not to elect Donald Trump as their president. The vast majority of the anti-Trump votes went to Clinton, with the remainder going to candidates (such as Libertarian Gary Johnson and Green Jill Stein and independent Evan McMullin) who were harshly critical of Trump.
  • 48.2 percent of Americans who cast ballots voted for Clinton for president, while just 46.1 percent voted for Trump. Clinton’s winning by a wider margin than John Kennedy in 1960, than Richard Nixon in 1968, than Jimmy Carter in 1976 or, of course, George W. Bush, the loser of the 2000 election who was awarded the presidency by the Electoral College.
  • Trump’s 46.1 percent of the popular vote is a full percentage point below the support attained by Republican Mitt Romney in 2012. It is also less than the popular-vote percentages for Gerald Ford in 1976, for Al Gore in 2000, or for John Kerry in 2004. In other words, this year’s “winner” suffered a bigger popular-vote defeat than a good many losers in recent presidential elections.
  • Trump won enough Electoral College votes to claim the presidency. But he fell far short of what might credibly be referred to the convincing victory he likes to suggest he has attained. In fact, as Nate Silver notes, Trump’s Electoral College advantage is “decidedly below-average.” “There have been 54 presidential elections since the ratification of the 12th Amendment in 1804,” explained Silver in November. “Of those 54 cases, Trump’s share of the electoral vote…ranks 44th.”
The point of going over the numbers is not to make Trump’s critics feel good. The “billionaire populist” is now, formally and certainly, the president-elect. But the numbers should strengthen the spines of those who intend to oppose a Trump presidency. They can reject his appointments, policies, and pronouncements with confidence that he lacks the popular support of most Americans.
Massachusetts Senator Elizabeth Warren has argued, correctly, that “Republicans are taking over Congress. They are taking over the White House. But Republicans do not have majority support in this country. The majority of voters supported Democratic Senate candidates over Republican ones, and the majority supported a Democratic presidential candidate over a Republican one.”




Warren is reminding her fellow Democrats that voters “didn’t send us here to whimper, whine, or grovel. They sent us here to say ‘no’ to efforts to sell Congress to the highest bidder. They sent us here to stand up for what’s right.”
The numbers support that argument. While Trump gained an Electoral College majority on Monday, that does not change the fact that most voters preferred someone else for the presidency.
Trump may be the president-elect. But he has no mandate.

17 dezembro 2016

11 dezembro 2016

Com atraso mas ainda a tempo

Este tipo é
mesmo desprezível




Há coisas que, de tal modo impossíveis de verificar, provar ou comprovar, nunca deviam ser trazidas ao discurso político de alguém. Sim, como é evidente, eu não posso jurar que nenhum comunista, na  de 4 de Dezembro de 1980,  tenha pedido num balcão qualquer um brandy ou um bagaço para celebrar a morte de Sá Carneiro. Assim, como Passos Coelho, não pode garantir, que nenhum membro do PSD, quando  morreu Álvaro Cunhal, não tenha no remanso do lar ou fora dele aberto uma garrafa de champanhe. Isto devia ser evidente para qualquer pessoas decente mas, pelos vistos, não é manifesta e repetidamente o caso de Pedro Passos Coelho.
 
E, pronto, a pensar nos mais novos, e quanto a inventados «festejos comunistas», só quero lembrar que três dias depois se realizavam eleições presidenciais de 1980 cuja disputa  estava dramaticamente centrada entre o gen. Soares Carneiro (apoiado pelo PSD e CDS) e o gen. Ramalho Eanes (apoiado pelo PS, mas não por Mário Soares, e pelo PCP.
 
Só quero lembrar que todas as atenções do PCP e dos comunistas estavam  naturalmente absorvidas pelo temor dos eventuais efeitos daquele trágico acontecimento na votação de domingo seguinte, sobretudo tendo em conta que a RTP dirigida por Proença de Carvalho dedicou um directo de mais de seis horas aos funerais de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa no dia 6 de Dezembro, dia de reflexão e véspera da votação .

10 dezembro 2016

03 dezembro 2016

Pontos nos is

Distracção ou coisa pior ?

Em artigo de opinião hoje no Público a jornalista São José Almeida escreve designadamente o seguinte: «Nomeadamente, no que diz respeito aos alinhamentos e ao discurso sobre questões sobre as quais o PCP já foi claro no passado. Como é o caso da forma como matiza a demarcação em relação às críticas ao que foram os regimes comunistas de Leste, em particular na União Soviética. Mas também na interpretação que faz dos regimes autodenominados socialistas ou comunistas que existem hoje, de Cuba à China, não esquecendo a Coreia do Norte.
Reduzir a solidariedade que manifesta para com estas ditaduras ao facto de elas estarem cercadas pelo imperialismo capitalista é quase uma argumentação pueril, que esquece o totalitarismo e a opressão nesses países. E entra em contradição profunda com a garantia, que as Teses juram e que Jerónimo de Sousa reafirma na entrevista, de que o PCP não concebe um socialismo que não tenha como característica estrutural e essencial a democracia. Deixando no ar a dúvida sobre se o PCP tem vergonha de criticar os poucos países que se dizem comunistas  que restam ou se não é sincero nas suas convicções democráticas.»

Sobre isto, e procurando deliberadamente a sobriedade, apenas dois pontos:

A autora destas afirmações que por sinal até assina hoje no jornal uma peça intitulada «As Teses de A a Z» pelos vistos não conseguiu tropeçar neste ponto 1.3.15 das Teses/projecto de Resolução Política do XX Congresso do PCP que reza :

«Os países que afirmam como orientação e objectivo a construção de sociedades socialistas – China, República Popular Democrática da Coreia, Cuba, Laos e Vietname –constituem, na sua grande diversidade de situações quanto ao grau de desenvolvimento económico e social e modelos sócio-políticos, um importante factor de contenção aos objectivos de domínio mundial do imperialismo. É hoje ainda mais claro que estes países são alvo de um conjunto de manobras de pressão económica e financeira, de desestabilização e ingerência, de ofensiva ideológica e de cerco geoestratégico que condicionam, a par com os efeitos da crise do capitalismo a que não estão imunes, o seu próprio desenvolvimento e opções de política económica e relações internacionais. Simultaneamente, e numa relação dialéctica entre questões internas e condições externas, os países que afirmam como orientação e objectivo a construção das sociedades socialistas enfrentam desafios e contradições que em alguns casos suscitam legítimas preocupações e dúvidas sobre a sua situação e evolução.
O PCP acompanha a evolução destes países e as orientações dos respectivos partidos comunistas, quer quanto às suas tarefas internas, quer quanto ao seu posicionamento na situação internacional. Rejeitando a ideia de modelos únicos de transformação social e afirmando o seu próprio projecto de construção de uma sociedade socialista em Portugal,o PCP considera que a evolução destes países deve continuar a merecer uma permanente e cuidada observação e análise, seja pelas experiências e realizações, seja pelas interrogações e discordâncias, algumas de princípio, suscitadas por certasrientações em alguns destes países, independentemente das suas particularidades,percurso e história, nomeadamente quanto a orientações que se distanciam de princípiose características de edificação de sociedades socialistas, seja no plano da organização económica, seja no plano do sistema político
Quanto ao mais, cabe perguntar porque raio haveria ou precisaria o PCP de, de quatro em quatro anos, em cada Congresso, voltar a repetir o que está escrito há bastante tempo no Programa de Partido, documento aliás de valor superior a qualquer Resolução de Congresso e de onde consta o seguinte (sobretudo para quem não souber ou tiver esquecido) :
«Apesar das grandes transformações e realizações democráticas revolucionárias de carácter económico, social e cultural, acabou por instaurar-se e instituir-se naqueles países em determinadas circunstâncias históricas um «modelo» que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas. Em vez do poder político do povo, um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia cada vez mais afastado da intervenção e vontade das massas e cada vez menos sujeito a mecanismos fiscalizadores da sua actuação. Em vez do aprofundamento da democracia política, a acentuação do carácter autoritário do Estado. Em vez de uma economia dinamizada pela propriedade social dos principais meios de produção, uma economia excessivamente estatizada desincentivando progressivamente o empenhamento dos trabalhadores e a produtividade. Em vez de um partido de funcionamento democrático, enraizado nas massas e delas recebendo energias revolucionárias, um centralismo burocrático baseado na imposição administrativa de decisões, tanto no partido como no Estado, agravado pela fusão e confusão das funções do Estado e do partido. Em vez de uma teoria viva e criativa, a sua dogmatização e instrumentalização. A experiência revela assim que a intervenção consciente e criadora das massas populares é condição necessária e indispensável na construção da sociedade socialista e que as soluções adoptadas para os mais diversos problemas (organização económica, sistemas de gestão, estrutura do Estado, política social, intervenção popular, cultura) têm de estar constantemente sujeitas à verificação dos resultados, prontas à correcção e à mudança quando necessárias, abertas ao constante aperfeiçoamento e enriquecimento.
A experiência revela ainda que para impedir um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza – são essenciais o exercício efectivo do poder pelo povo, o controlo popular e a consideração permanente do aprofundamento da democracia.»

02 dezembro 2016

Sempre a aprender

Maravilhas da arte militar


Depois de ler no Público de hoje esta crónica de Rui Tavares exclusivamente dedicada aos «crimes», «barbaridades» e «crueldades» cometidas pelos russos no ataque ao Daesh em Alepo, fiquei definitivamente convencido que  o ataque para a reconquista de Mossul ao Daesh decorre com uma precisão cirúrgica nunca vista, não provocando nenhumas carência alimentares ou de assistência médica às populações civis nem muitos menos a morte de inocentes, os aviões norte-americanos só despejam panfletos e o fogo de tanques, de artilharia e de morteiros beneficia de novas tecnologias que permitem distinguir já em trajectória um jihadista de um pacífico cidadão  curdo.

29 novembro 2016

Que grande lata !

Rangel no seu melhor

Imodéstia à parte, nem precisava de ler o artigo de Paulo Rangel hoje no Público para saber que argumento fundamental iria usar para tentar justificar um tão escabroso título: nem mais menos que os EUA são uma República Federal, daí o Colégio Eleitoral e, no fundo, uma espécie de eleição indirecta  Presidente. Mas tem azar Paulo Rangel: é que, por exemplo, o Brasil também é um República federal e não consta que lá alguma vez o segundo mais votado tenha sido eleito Presidente.  Bem no fundo, Paulo Rangel, tal como outros, refugia-se num formalismo seco onde a vontade real e maioritária dos votantes é um pormenor a esquecer depressa, onde o principio fundador de um homem - um voto é esmagado por obsoletas e velhas regras com 186 anos e através do qual aqueles que atiram para o lixo dois milhões de votos são capazes depois de perorar candidamente sobre o desencanto dos cidadãos com a política.

28 novembro 2016

Ben Jennings no «Guardian ou...

... o cartoonista que lembrou
o que muitíssimos quiseram
esquecer: as centenas de tentativas norte-americanas de assassinato
de Fidel Castro


26 novembro 2016

Figura memorável

Hasta siempre, Fidel !

A esta hora, em tons e conteúdos diversos, está quase tudo dito sobre a morte de Fidel Castro. Mas um daqueles portugueses que desde cedo acompanhou solidaria e apaixonadamente a revolução cubana não pode deixar de exprimir a sua tristeza pelo desaparecimento deste grande revolucionário do século XX, deste corajoso e íntegro semeador de mudanças, sonhos e esperanças, deste líder que levou solidariedade internacionalista a vários pontos do planeta, que comandou a resistência patriótica a um embargo infame e que restituiu ao seu povo esse bem superior e inalienável que é o sentimento enraizado de dignidade e independência nacional. O seu exemplo ficará tempos adiante.

Fidel
Por Juan Gelman
Del poemario “Gotán” (1962).





dirán exactamente de fidel
gran conductor el que incendió la historia etcétera
pero el pueblo lo llama el caballo y es cierto
fidel montó sobre fidel un día
se lanzó de cabeza contra el dolor contra la muerte
pero más todavía contra el polvo del alma
la Historia parlará de sus hechos gloriosos
prefiero recordarlo en el rincón del día
en que miró su tierra y dijo soy la tierra
en que miró su pueblo y dijo soy el pueblo
y abolió sus dolores sus sombras sus olvidos
y solo contra el mundo levantó en una estaca
su propio corazón el único que tuvo
lo desplegó en el aire como una gran bandera
como un fuego encendido contra la noche oscura
como un golpe de amor en la cara del miedo
como un hombre que entra temblando en el amor
alzó su corazón lo agitaba en el aire
lo daba de comer de beber de encender
fidel es un país
yo lo vi con oleajes de rostros en su rostro
la Historia arreglará sus cuentas allá ella
pero lo vi cuando subía gente por sus hubiéramos
buenas noches Historia agranda tus portones
entramos con fidel con el caballo

Porque hoje é sábado ( )

Hristo Vitchev





A sugestão musical deste sábado vai
para o guitarrista de jazz búlgaro Hristo Vitchev.

25 novembro 2016

24 novembro 2016

Contagem a chegar ao fim

Encerrando o assunto,
uma observação amarga





Sim, despeço-me deste assunto, com uma observação amarga. Trata-se de afirmar que nunca tive nenhuma dúvida de que Hillary é uma belicista, uma lídima representante dos interesses de Wall Street e do «establishment» e que isto  seria sempre verdade, fossem quais fossem os seus resultados eleitorais.

O que me chocou profundamente foi ver sectores e personalidades de esquerda, em Portugal e nos EUA, a crucificarem H. Clinton invocando a sua «estrondosa derrota eleitoral», lembrando «o vendaval Trump» e alinhando noutras fantasias quando ela acaba por ter mais dois milhões de votos que Trump que é o único dado que exprime a real vontade dos americanos que foram às urnas. É que nenhuma crítica política lúcida ou promissora se pode basear em premissas falsas.

E assim, seja para equiparar Hillary a Trump ( o que, no plano da política interna é um absurdo), seja alegadamente para desacreditar o «sistema», muito boa gente de esquerda, ao desprezar os votos populares nas presidenciais norte-americanas, perdeu uma oportunidade soberana de pôr em evidência uma fraude congénita da «grande democracia americana».

22 novembro 2016

Jornalismo ou...

... o estado da arte

Em vez de chorarem
pelo passado, façam notícias





Na institucional Faculdade de Direito de Lisboa estiveram reunidos, há duas semanas, 300 advogados de várias partes do mundo, membros da Associação Internacional de Juristas Democratas. Isto, só por si, seria uma notícia, mas, não sei porquê, não a li em lado algum.
Nesse fim de semana a dita associação, presidida pela norte-americana Jeanne Mirer, que há mais de 70 anos luta pelo respeito universal da lei, recebeu a informação de que o governo turco decidira proibir, durante três meses, a atividade da Associação de Advogados Progressistas Turcos. Isto, só por si, seria uma notícia, talvez pequena, admito, mas capaz de honrar qualquer linha editorial. Não a li em lado algum.
O presidente da Associação de Advogados Progressistas Turcos, o dr. Selçuk Kozagaçli, encontrava-se em Lisboa a participar com colegas do seu país na conferência que, ironicamente, celebrava em Lisboa os 50 anos dos primeiros pactos das Nações Unidas sobre direitos humanos. Isto, só por si, seria uma notícia, pequenita, certo, mas relevante em qualquer jornal. Não sei porquê, não a li em lado algum.
Durante os três dias da conferência Kozagaçli foi coligindo informações sobre o que se estava a passar com mais de três mil advogados turcos. Eles contestavam as arbitrariedades do regime do presidente Erdogan, cometidas ao abrigo de um estado de emergência de legalidade duvidosa. A sede da associação foi entretanto assaltada pela polícia de choque, inúmera documentação apreendida, vários advogados presos. Isto, só por si, seria uma notícia, talvez pequena, admito, mas capaz de honrar qualquer jornal, de esquerda ou de direita, independente ou engajado. Mas não, não a li em lado algum.
Kozagaçli recebeu, num computador emprestado por uma colega portuguesa, fotografias do assalto policial, imagens das detenções dos colegas e um aviso: "Se voltarem serão presos." A Associação Portuguesa de Juristas Democratas, co-organizadora da conferência, avisou vários jornalistas portugueses sobre estes acontecimentos e manifestou disponibilidade para dar mais informações. Não sei porquê, não encontrei um texto sobre o tema.
No domingo, dia 13 de novembro, os juristas turcos que passaram esse fim de semana angustiante em Lisboa regressaram a Istambul convencidos de que se encaminhavam para a cadeia. E assim foi para alguns deles, incluindo uma mulher, Fatma Demirer.
Tudo isto li, ouvi e vi, com textos, sons, fotos e vídeos, no Facebook - bastou-me receber uma partilha. E na comunicação social?... Nada. Não sei porquê.
Sei, porém, a razão por que o Facebook está, todos os dias, a liquidar a influência da imprensa: porque ela merece.

20 novembro 2016

Uma triste notícia

Um modesto adeus a
Maria Eugénia Varela Gomes



Neste dia cinzento, chega de repente a notícia da morte aos 90 anos de Maria Eugénia Varela Gomes, uma incontornável figura da luta antifascista e da fidelidade aos ideais de Abril, uma mulher de antes quebrar que torcer que tocou de forma inesquecível todos os que a conheceram, que teve uma vida muito sofrida mas que nunca se deixou afundar na mágoa e no desgosto e que me deu a honra da sua amizade. Um forte abraço de solidariedade para o João Maria e para as suas filhas.

19 novembro 2016

Porque hoje é sábado ( )

Miranda Lambert


A sugestão musical deste sábado oferece-vos
a voz da cantora country norte-americana
Miranda Lambert

17 novembro 2016

Nem mais

Eu conto-vos qual foi
o verdadeiro «crime»
de Ana Nicolau





        Sim, o verdadeiro «crime» de Ana
Nicolau foi ter dito nas galerias da AR o que quase três milhões de portugueses viriam a dizer sete meses depois nas eleições de 4 de Outubro de 2015.
Toda a solidariedade é devida. 


14 novembro 2016

Desculpem insistir

Seis dias passados,
os 130 mil votos de vantagem
de H. Clinton já vão em 668 mil !


Embora discorde da relativa displicência com que o autor  remata o assunto («Não nos devemos queixar de um sistema eleitoral que era conhecido e é legítimo»), a crónica de Rui Tavares hoje no Público incorpora algumas informações úteis ainda na ressaca das presidenciais norte-americanas. Aí se pode ler que «Na vozearia dos últimos dias, os trumpistas e os seus acólitos pretendem disfarçar a sua maior fraqueza: não são maioritários na sociedade americana. Hillary Clinton tem neste momento quase dois milhões de votos a mais do que Donald Trump [não creio, ver imagem], que tem menos votos que o candidato republicano derrotado em 2012, Mitt Romney [ver aqui].  Uma boa estratégia geográfica e a carambola do colégio eleitoral -com uma diferença de cem mil votos em três Estados- deu a Trump a Casa Branca».

Começando por referir que deve dar muita saúde à democracia e confiança no «sistema» esta coisa de serem contados mais meio milhão de votos sem que isso altere seja análiseso que for, saliento que, por cá, passados estes sete dias, o silêncio inicial sobre os votos populares, evoluiu para o «en passant» e a nota de rodapé, continuando todas as classificações e análises como se esta diferença (a única que expressa a vontade maioritária dos eleitores) não significasse nada.

E, em boa verdade, que eu visse, não encontrei nenhum comentador que fosse capaz de, antes de começar a falar, perguntar a si próprio: «mas o que eu diria se, com mais cem mil votos dos seus seiscentos mil de vantagem, H. Clinton tivesse ganho os tais três Estados e a maioria do colégio eleitoral ?»

Maneiras de dizer

Afinal parece que foram
só alguns portugueses


 clicar para aumentar

12 novembro 2016

PORQUE HOJE É SÁBADO ( )

Natasha Jacobs/Thelma



A sugestão musical deste sábado vai para
a cantora norte-americana Natasha Jacobs
e a sua Banda Thelma.