30 agosto 2019

Referendo em Timor e a seguinte repressão

Há 20 anos, a solidariedade
do PCP com o povo timorense

Há  20 anos, pela primeira vez desde sempre, e até hoje, um delegado de um outro país, discursava no comício da 23ª Festa do Avante ! : tratou-se de um representante do FRETILIN e, por isso, talvez seja  justo dizer que esse comício foi a primeira das manifestações de massas que se realizaram em Portugal contra a repressão e pelo respeito da vontade do povo timorense. E no seu discurso, Carlos Carvalhas, Secretário-Geral do PCP afirmou o que se segue :


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Estamos nisto

Crónica de uma ligeireza
na 1ª página 
estampada

Dada a sofisticação do assunto (ai tanta!), três  notas prévias para nos entendermos; a primeira é que eu nunca uso por opção própria o termo «geringonça»; a segunda é que não faz sentido desacreditar um western  por nele não entrarem romanos; e a terceira é que uma coisa é o legitimo direito de cada um  ter os seus palpites, previsões ou pressentimentos e outra é fazer deduções a partir de factos estranhos à coisa.

Dito isto, importa constatar que o «i» no seu destaque não se limitou a proclamar «Geringonça: a crónica de uma morte anunciada», antes logo acrescentou, em nexo de causalidade, que «Costa não quer um governo com ministros do PCP e do BE».

Ou seja, quem tivesse chegado hoje a Portugal vindo de Shangri-La e tivesse lido a capa do «i» teria ficado a pensar que actualmente aqui temos um governo de coligação PS+PCP+BE e que ministros do PCP e do BE também se sentam semanalmente numa mesa de uma sala na Gomes Teixeira. Quando toda a gente sabe que por cá não existe nem uma coisa nem outra.

Aliás se existisse, não se chamaria, como outros (que não eu) chamam, de «geringonça». E pronto, creio que isto até já é molho a mais para um tão flagrante ligeireza.

Mexicanos nos EUA



Um trabalhador rural mexicano usa uma grossa cadeia para
 tentar puxar um tractor que se atolou na lama.

29 agosto 2019

Amazónia

Floresta recua,
pecuária avança



RIO - De 1985 a 2018, o Brasil perdeu 89 milhões de hectares de áreas naturais em todo seu território, algo como 20 vezes a área do Estado do Rio. Essa perda acompanhou o ritmo dos rebanhos, pois a abertura de pastos é o principal motor do desmatamento: no mesmo período, a área destinada à agropecuária teve um aumento de 86 milhões de hectares. "O Globo"


28 agosto 2019

Rui Rio e a «reforma» do sistema político


" E por que reparas tu

 no argueiro que está no
 olho do teu irmão e não 
vês a trave que está
 no teu olho?"

Há tantas décadas que ouço esta conversa mole que, agora, francamente nem sei o que dizer sobre as propostas de Rui Rio para uma «reforma» do sistema político, sem a qual segundo o tribuno laranja viria nem mais nem menos que «a ditadura». Mas, embora a muito custo e sem gastar explicações e argumentos que se devem guardar para os momentos decisivos, sempre me atrevo a dizer que é absolutamente estapafúrdia a ideia de os votos em branco também elegerem cadeiras vazias. Que a diminuição do número de deputados e a criação de círculos uninominais só pode conduzir a uma subrepresentação dos partidos mais pequenos. Que restituir ao PR poderes para demitir um governo fora da situação de não «funcionamento regular das instituições» até pode agradar a Marcelo mas não faz nenhuma falta à democracia portuguesa. E que, contra o clamor populista o digo, mesmo a limitação dos mandatos dos deputados também é uma forma de cavalgar a onda anti-parlamentar pois significaria que pessoas com comprovado talento e competência políticas se veriam impedidos de continuar a exercer a sua nobre função. Em síntese, Rui Rio julga que o mal da democracia está nas actuais leis que organizam o sistema político e não percebe que o desafecto em relação à política e aos políticos é um fenómeno bem mais complexo em que entra seguramente a espiral de promessas feitas e não cumpridas (lembre-se a campanha de Passos Coelho de 2011 e o que fez depois), a mistura com os negócios e interesses condenáveis, a politiquice mais ostensiva e o desprezo pelo interesse público.  E tenho a presunção de que o essencial que tinha para dizer sobre estas propostas de Rui Rio está no título deste post.

27 agosto 2019

Billiard = milhão de milhões



«Um recorde acaba de cair, o da distribuição de dividendos no mercado mundial. No segundo trimestre de 2019, os felizes accionistas repartiram entre si 513,8 milhares de milhões de dólares, segundo um estudo  da  Janus Henderson Investors. D'après les chroniqueurs économiques, c'est une très bonne nouvelle. Pour les actionnaires, on ne saurait en douter. D'autant que cette bonne nouvelle s'accompagne d'une autre : la France se situe dans le peloton de tête des pays distributeurs. Les entreprises du CAC 40 se montrent particulièrement généreuses avec leurs actionnaires. On serait même tenté de pousser un strident cocorico en apprenant que notre pays est désormais premier en Europe pour la rémunération du capital.
De quoi se plaint-on ? En regardant la France du côté des actionnaires, on se sent beaucoup mieux qu'en considérant le niveau moyen des salaires et des retraites. Pour ne pas parler des services publics, des hôpitaux littéralement asphyxiés, des écoles en détresse ou des quartiers dont on ne peut assurer la sécurité, faute d'effectifs. La France est un des pays les plus riches de la planète, elle reçoit donc ses partenaires du G7 en déployant des moyens gigantesques pour assurer leur sécurité. La rémunération du capital ne cesse de progresser en France. Elle progresse même deux fois, puisque la détention d'un coquet portefeuille boursier n'est plus soumise à l'ISF.
Pour le dire simplement, les riches, les vrais, ne se sont jamais si bien portés dans notre pays. Les esprits chagrins diront qu'il n'y a jamais eu autant de pauvres. Mais comment trouverait-on de quoi rémunérer le capital si tout le monde avait accès à l'argent ? La richesse d'un pays se mesure au nombre de pauvres. La preuve par les Etats-Unis d'Amérique, qui comptent un peu plus de 43 millions de pauvres tout en se plaçant au premier rang des pays riches. Les sept pays riches réunis à Biarritz totalisent plus de 100 millions de pauvres. De quoi parlent-ils ? Du moyen d'accroître encore la richesse, dont la progression menace de ralentir.»

26 agosto 2019

Petição concluida

Uma luta
para continuar !


Entendeu-se desactivar a petição, por ter cumprido o principal objectivo: fazer chegar ao Primeiro-Ministro o repúdio de cerca de 18 000 antifascistas, pela criação de um espaço/museu/memorial em Santa Comba Dão, na expectativa de que se pudesse travar o que, desde há meses, configurou um aberto ataque à Democracia. Até ao momento, ainda não obtivemos qualquer reacção do Primeiro-Ministro, mas regozijamo-nos pelo eco que este abaixo-assinado teve na Comunicação Social e em muitos cidadãos de relevo na vida nacional, que entenderam juntar a sua voz à voz destes muitos milhares de antifascistas, e em apoio dos 204 ex-presos, dando-lhes assim maior visibilidade. Muito em breve, enviaremos ao Primeiro. Ministro, as cerca de três mil assinaturas que vieram juntar-se aos 15 mil nomes do primeiro envio. Tudo faremos para que esta iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão não vá adiante, mesmo que sob a capa de um Centro Interpretativo do Estado Novo. E apelam a todos os democratas para que prossigam o combate contra este projecto de reabilitação do ditador Salazar e da sua ditadura.

Fascismo Nunca Mais! 
Pelos promotores da petição; Albano Nunes, Joana Lopes,  Maria do Rosário Gama, Miguel Cardina.

25 agosto 2019

Na mouche !

O Museu
Walter Hugo Mãe no «JN»



desenho de Mestre João Abel Manta
«Um Museu Salazar na casa onde o ditador nasceu não é possível que seja isento de saudosismo. Há uma atmosfera de capela na ideia impossível de apagar. Qualquer que seja o nome que se dê a este espaço, o perigoso enfoque está criado. Por mais que se destituam os conteúdos de ideologia, o gesto corrompe-se por definição. Os malfeitores devem ser lembrados pelos lugares onde mataram e onde morreram, é isso que nos ensina e nos urge lembrar.

Não é verdade que favorecer a memória de Salazar como um "filho da terra", figurão na História do país, seja só uma liberdade democrática, porque não é. É uma desfaçatez. Salazar mandou assassinar, criou campos de concentração, torturou, mentiu, falseou eleições, dispôs do país e das colónias como se fossem sua mercearia e seu jogo de soldadinhos. Por isso, o que diz respeito à saudade de Salazar não é opinião, é desfaçatez. Não é exercício democrático, é branqueamento de um regime que assassinou, torturou, mentiu e empobreceu os bolsos e os espíritos dos portugueses e de todos os povos de que os portugueses tiveram a ilusão de ser proprietários.
O museu que tinha de haver era o que se perdeu com a sede da PIDE. Aí, sim, haveria de se espanar o saudosismo. A simples ostentação daquelas portas e daquelas paredes serviria para se contar a História a partir do prisma da decência; aquele que imediatamente diz que nenhum poder se pode arrogar a perseguir os seus opositores. Ninguém nos pode voltar a diminuir na liberdade de pensamento e de expressão. Não nos podem matar.
O entusiasmo de Leonel Gouveia, eleito pelo PS na autarquia de Santa Comba Dão, é, no mínimo, inusitado. Já sabemos que o diabo encontra meios de colocar os néscios ao seu serviço, também já suspeitávamos que muita da Esquerda trabalhasse na verdade para a mais pura Direita. Que fizesse um favor tão grande ao fascismo é que não estaria à espera. De Centro Interpretativo a lugar de velas é um passo. Com o rumo que o Mundo leva, se não formos mais espertos, o que vemos a acontecer espantados em outros países regressa ao nosso em esplendor. Quero dizer, para matar as saudades dos assassinatos e dos desaparecimentos, e da tortura e da mais elementar mentira. Vai ser uma curiosidade, depois, ver onde nasceu o novo ditador para cuidar de lhe manter a casinha em pé e ir para lá interpretar o raio que parta.
*Escritor

Para o seu domingo

Recordando Chet Baker

24 agosto 2019

23 agosto 2019

Surdez, cegueira e preconceito

A mentira mil vezes repetida

Em artigo no «Público» de hoje perora a jornalista Helena Pereira: «Falo da greve dos motoristas, em que a posição de força do governo com o beneplácito, ao mesmo tempo, dos partidos de esquerda e dos empresários só foi possível graças a uma aliança rara . (...)  A esquerda não fica incomodada quando um primeiro-ministro age? com o intuito de dificultar a vida aos grevistas ? (...)».

Entretanto, numa repetição de muitas declarações anteriores, pode ler-se também hoje num órgão de imprensa online :

«A situação vivida com a luta em curso na Ryanair foi referida pelos secretários-gerais do PCP e da CGTP-IN como exemplo de serviços mínimos decretados em termos abusivos, o que também se verificou quando da greve dos motoristas de pesados.
Jerónimo de Sousa, líder comunista, entende que «o Governo está a tentar, com o apoio das entidades patronais, pôr em causa a lei da greve, esvaziando-a. […] Pura e simplesmente alargam a concepção de serviços sociais impreteríveis, que são aqueles que têm uma relação directa com a vida das pessoas, [como] a saúde das pessoas. [É um conceito que] não se pode aplicar a tudo aquilo que se passa em termos de paralisação», afirmou em declarações à Lusa.

«Falando por experiência própria, um trabalhador, quando vai para a greve, não o faz de sorriso nos lábios. É o recurso a uma forma superior de luta onde são os primeiros a pagar em termos económicos. A experiência do movimento operário foi sempre a de terem os trabalhadores a primeira preocupação em garantir, por exemplo, que um forno de vidro da Covina [Companhia Vidreira Nacional] se mantivesse em laboração para não cair. Não precisavam da definição de serviços mínimos», explicou.
Para o secretário-geral do PCP, está em causa «um mau caminho, procurando [o Governo], de certa forma, tentar limitar o direito à greve, um direito de Abril, que a Constituição e os constituintes consideraram importante para integrar o capítulo dos direitos, liberdades e garantias fundamentais». (aqui)

Há 75 anos

A heróica
libertação de Paris

Uma resistente recupera a arma de um soldado alemão morto
Em 19 de Agosto, com um papel determinante dos FTP (organização armada do PCF) começou  a insurreição popular de Paris contra o ocupante alemão que se viria a render em 25 desse mês, graças à chegada da Divisão Leclerc que avançou sobre Paris contra a opinião dos norte-americanos. Mais de mil resistentes perderam a vida nesta Batalha de Paris. Honra à sua memória.


ELE FALA, FALA E FALA MAS HÁ ...




22 agosto 2019

Uma grande resposta democrática





recolhidas em poucos dias e
enviadas hoje ao Primeiro-ministro
pelos 1ºs subscritores da
 petição/abaixo-assinado.

(a recolha de assinaturas prossegue)
Uma grande afirmação dos valores antifascistas. Uma claríssima e poderosa rejeição das habilidades e sofismas com que alguns procuram dourar a pílula do seu saudosismo reaccionário.
Um grande encorajamento para
 uma luta que tem de continuar.
Obrigado a todos.

Artigo favorável ao Museu Salazar

Esta vai para o
Guiness da ingenuidade




sem mais comentários.

Ainda Woodstock 1969

O melhor das bandas
esquecidas de Woodstock




muito mais aqui

21 agosto 2019

20 agosto 2019

Não, não mordemos o isco !

Atenção, muita atenção


Os defensores do museu Salazar não estão parados. Agora a sua táctica é dizer debaixo de um chapéu-sofisma que se trata do «Centro Interpretativo de Estado Novo» ( o nome tem graça porque CIEN é uma marca de cosméticos), e que isso é coisa basto isenta, equilibrada, patati patatá, Mas depois vai-se ver e os mesmos escrevem textos em que chamam a Salazar «o derradeiro patriota» e omitam que «A ONU nunca suportou o nosso estatuto pluricontinental e apoucou o mais que pôde Portugal, diminuindo a sua capacidade de acção internacional na defesa do Ultramar. Muitos compatriotas nossos, de cá e espalhados pelo mundo à conta da oposição a Salazar, juntaram-se a este coro de carpideiras emancipadoras».
A melhor resposta democrática é só esta : UMA AINDA MAIS AVASSALADORA SUBSCRIÇÃO DA PETIÇÃO QUE ESTÁ AQUI em https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT94050&fbclid=IwAR2GWbsLffqz6j6cPBQJ-pT3WQf-AtHuZv7blDbUX7rChQtwIpwKjcJani4

que nenhum democrata duvide : é


19 agosto 2019

Imodéstia à parte

Uma lição que poucos
se lembrarão de tirar


Sim, há uma lição (outros se encarregarão certamente de outras) que eu quero tirar: é que em toda esta greve ficou patente na opinião pública e na publicada uma incomensurável falta de informação e conhecimento sobre a actividade e combates do movimento sindical unitário. Basta dizer que, mesmo entre pessoas de esquerda, se devem contar pelos dedos as mãos e dos pés (isto é um exagero, claro) os que sabem que a FECTRANS andou 20 anos a lutar, ano após ano, por um Contrato Colectivo de Trabalho que só em 2018 viria a conseguir. Não estou a culpar pessoas, estou sim a salientar a indiferença com que a generalidade dos órgãos de comunicação social manifestam face à vida e acção do movimento sindical e até, mais largamente, às questões do trabalho. A este respeito, remato apenas com o exemplo devastador de que, praticamente em quase todos os órgãos de comunicação, as questões de trabalho são incluídas ou na secção de «Economia» ou de «Sociedade». Dos principais, nenhum que eu saiba tem, no seu "deitado", uma secção honrosamente chamada «Trabalho».

18 agosto 2019

O saber não devia ocupar lugar

Muitas pessoas de
esquerda  desconhecem
 isto 

(...)


aqui
(na resposta da FECTRANS a Raquel  Varela)

Hoje no «Público» (resumo)

E Raquel Varela
leva para contar !


«(...) A mentira da isenção de horários
Logo depois passa à mentira pura, só desculpada pelo facto de na sua cegueira anti-CGTP/IN ter aceite falar de algo que não conhece minimamente. Começa por opinar que a FECTRANS assinou «em 2018 um acordo em que os motoristas ficam pior do que estavam», o que é notável vindo de quem nem leu o anterior nem o actual CCTV. Depois continua: «Este acordo prevê isenção de horário por um valor fixo de 280 euros.» O que é pura mentira. Não há qualquer regime de isenção de horário, o que existe é o alargamento do «Regime de trabalho para os trabalhadores deslocados» já existente no anterior CCTV (antiga cláusula 74, actual 61), que deixa de ser apenas para os trabalhadores do Internacional e passa a ser igualmente para os trabalhadores do nacional.  Passam a receber «o  correspondente a duas horas de trabalho suplementar» (e não o «valor fixo de 280 euros» com que Raquel Varela sonhou) mas sem qualquer isenção de horário.
O que explica a existência deste subsídio é que estes trabalhadores sofrem de um regime legal diferente (e pior!) dos restantes trabalhadores (Decreto-Lei n.º 237/2007) cujas regras «prevalecem sobre as disposições correspondentes do Código do Trabalho». Mas se o Regime dos trabalhadores móveis é pior que o Regime normal (e por isso a FECTRANS lutou contra ele em 2005/2007 quando foi implementado) nele também se estipula, por exemplo, que «A duração do trabalho semanal dos trabalhadores móveis, incluindo trabalho suplementar, não pode exceder sessenta horas, nem quarenta e oito horas em média num período de quatro meses.» E sublinho o incluindo trabalho suplementar
É que é importante sublinhar isto: Qualquer regime como o descrito por Raquel Varela (15 horas de trabalho diário ou as 75 horas de trabalho semanal que deixa subentendido) é completamente ilegal, não o permite a lei nem o CCTV! Há situações onde trabalhadores sofrem esse regime? Há, mas sempre em violação da lei, sejam as horas pagas ou não. Ora a FECTRANS não pode ser responsabilizada pela violação da lei. Aliás, essa é uma das coisas que temos exigido ao Governo: que faça cumprir as leis no sector, as que protegem os trabalhadores. (...)

Uma lenda para o seu domingo



Bessie Smith em 1925
ler aqui


16 agosto 2019

Contamos com a sua assinatura


Exmo. Senhor Primeiro-Ministro


Os abaixo-assinados, conhecedores do que foi a ditadura do Estado Novo, manifestam, em nome próprio e no da memória de milhares de vítimas do regime – de que Salazar foi principal mentor e responsável – o mais veemente repúdio pela criação do Museu Salazar, recentemente anunciado pelo Presidente da Câmara de Santa Comba Dão.

Apoiam a carta dirigida a Vossa Excelência, no passado dia 12 de Agosto de 2019, por 203 ex-presos políticos, apelando ao Governo para que intervenha no sentido de impedir a concretização de um tal projecto que, longe de visar esclarecer a população e sobretudo as jovens gerações, se
prefigura como um instrumento ao serviço do branqueamento do regime fascista (1926 - 1974) e um centro de romagem para os suadosistas do regime derrubado com o 25 de Abril.
16 de Agosto de 2019 1ºs signatáriosAlbano Nunes, Alda de Sousa, António Avelãs Nunes, António Regala, António Taborda, Carvalho da Silva, Francisco Fanhais, Joana Lopes, José Barata Moura, José Sucena, Levy Baptista, Margarida Tengarrinha, Maria do Rosário Gama, Maria Teresa Horta, Miguel Cardina, Pedro Adão e Silva, Raimundo Narciso, Rui Namorado.


Memorando FECTRANS - ANTRAM

Nada melhor do
que ir ao concreto

  • «No que se refere aos salários, concretiza-se a actualização do aumento do salário, ou seja no base, mais no complemento salarial, mais na cláusula 61ª e no subsídio nocturno ( no mínimo 120 E.)
  • A estes valores acresce o subsídio de 125€ para os motoristas que manuseiem de forma regular matérias perigosas líquidas e gasosas em cisterna;
  • Para os outros trabalhadores que manuseiem cargas, nos termos das excepções previstas no CCTV terão um subsídio de 55€, a acrescentar à retribuição mensal.
  • Nestes termos um trabalhador afecto ao transporte de matérias perigosas líquidas e gasosas em cisterna, sem diuturnidade, terá no mínimo um aumento salarial de 266,46€. Um trabalhador de carga a granel, sem diuturnidades, terá um aumento mínimo de 141,14€ e os que manuseiem a carga terão um acréscimo de mais 55€ a este aumento;
  • As ajudas de custo diárias terão um aumento de 4% e os trabalhadores passam a ter direito a receber essa ajuda de custo no dia que chegam a Portugal;
  • Nos termos do memorando de entendimento a retribuição base dos motorista de ligeiros cresce 6% (650€) e os restantes trabalhadores não motoristas 4%;
  • A cláusula 61ª deixou de ter incluído o trabalho nocturno que é para a ter um pagamento autónomo e no transporte nacional a mesma será calculada na base de 48% da retribuição base+complemento salarial+diuturnidades ;
  • É reforçado o principio de que a leitura da cláusula 61ª tem que estar ligada ao conteúdo da cláusula que limita os tempos de trabalho, ou seja, que nenhum trabalhador é obrigado a prestar trabalho extraordinário de forma regular, nem é obrigado a trabalhar em situações excepcionais em média mais de 48 horas semanais;
  • É assumido que os descansos compensatórios pelo trabalho ao domingo e feriado são para ser gozados pelo o trabalhador e só com o acordo deste podem ser substituídos por pagamento;
  • No texto do CCTV que está a ser discutido estão previstas a inclusão de capítulos autónomos referente aos motoristas de matérias perigosas, assim como aos do internacional e nacional;
  • Está assumida a periodicidade dos exames médicos anuais, pagos pela entidade patronal;
  • Está a ser discutido o alargamento do seguro previsto na actual cláusula 55ª;
  • No texto em discussão é reforçado o principio de que o trabalhador motorista não tem que fazer cargas e descargas, com as excepções que terão com compensação os subsídios específicos atrás referidos e iremos participar no grupo de trabalho criado para desenvolver trabalho para regulamentar esta questão;
  • Conforme assumido no protocolo de 17 de Maio, o governo publicará até ao final do mês a portaria que proíbe a circulação de transporte em cisternas aos domingos e feriados,
  • Está assumido que a negociação para os anos futuros tem como ponto de partida a taxa de actualização do salário mínimo nacional;
  • É reforçado a imperatividade da actual cláusula 82ª, que impede a perda de qualquer retribuição pelo trabalhador;»
 aqui

15 agosto 2019

Há 50 anos, Woodstock

Não, não me «parece
 que foi ontem»




Não, não é sobre ourivesaria

Um artigo muito
 interessante
«(...) Não tenho esperança de ver a foto de Manuel Louzã Henriques, o velho leão da Liberdade, a ocupar toda a capa da revista do Expresso, nem o seu busto na cidade de Coimbra (como o do bombista cónego Melo, em Braga), que, de resto, o próprio, com a modéstia dos grandes, seria o primeiro a não apreciar.

E não se trata, naturalmente, de pôr em competição gente de esquerda e de direita com as suas qualidades e defeitos, nem de analisar cada individuo sem olhar à complexidade do «eu e da sua circunstância», no dizer de Ortega e Gasset.

Mas a descarada adulteração do real, a troca de valores e a falta de pudor com que se lava um passado agressivo ligado à extrema-direita mais trauliteira, serve bem como amostra das opções ideológicas dos nossos media dominantes.(...)»
ler artigo na integra aqui

14 agosto 2019

Varrendo a testada

Ana Sá Lopes deve saber
ler mas não entende o que lê

Em editorial no Público de hoje, Ana Sá Lopes, insistindo (como é seu direito)  num apoio total e sem nenhumas reservas à actual greve dos motoristas de matérias perigosas, proclama a dado passo que   « o Partido Comunista Português aceita as greves desde que sejam dos seus sindicatos e quanto aos outros grevistas acusa-os – sim, aos grevistas – de serem responsáveis pelo Governo limitar o direito à greve

Trata-se, nem mais nem menos de uma mentira e de uma deliberada falsificação. Para além de que o PCP não tem sindicatos, o que o PCP afirmou foi que «É neste contexto que é convocada uma greve por tempo indeterminado e com uma argumentação que, instrumentalizando reais problemas e descontentamento dos motoristas, é impulsionada por exercícios de protagonismo e por obscuros objectivos políticos e procura atingir mais a população que o patronato. Uma acção cujos promotores se dispõem para que seja instrumentalizada para a limitação do direito à greve».

Ou seja, não há nesta passagem qualquer acusação aos «grevistas» ou a sua genérica responsabilização. Se houvesse , não se teria usado o termo «instrumentalizando».

Tudo visto, Ana Sá Lopes é livre de  não lhe fazer a mínima impressão a duração «indeterminada» desta greve, é livre de nada dizer sobre o porta-voz que diz que a greve pode durar 10 anos, é até livre de ignorar as críticas do PCP à dimensão dos serviços mínimos e à requisição civil e até é livre de, numa matéria de enorme complexidade, ver tudo a preto e branco. O que não pode é pôr na boca de outros o que outros não pensaram nem disseram. 
E, afinal, é a ela própria que se aplicam estas suas palavras no mesmo editorial :  «a captura da razão em favor da explosão de emoções, delineada por quem tinha responsabilidades especiais, foi demasiado grave e marcará com certeza, para o bem e para o mal, um “antes” e um “depois”.


Adenda absolutamente
necessária (18.40 hs)

No editorial do Público a publicar amanhã na edição impressa, vai escrever  o director Manuel Carvalho :


(Público online hoje»
E, face a isto, eu limito-me a dizer que se aplica a Manuel Carvalho tudo quanto escrevi acima sobre o texto de Ana Sá Lopes : o mesmo maniqueísmo, a mesma visão de só preto e branco, a mesma desatenção ao que o PCP realmente escreveu, a mesma ignorância sobre elementares critérios na concepção das formas de luta a adoptar. Por agora, chega !