30 setembro 2019

Dia de reflexão

A ver se nos entendemos


Para falar verdade, estou fartinho de ouvir  jornalistas e politólogos a bramarem contra a existência do dia de reflexão (sendo bom lembrar que para o dia de votação também vale a mesma regra).
Pessoalmente não tenho grande coisa contra o fim desse dia de reflexão. Mas acrescento aquilo que tais jornalistas, politólogos e estes  constitucionalistas nunca esclarecem: ou seja, que que o fim do dia de reflexão só pode significar mais um dia de campanha eleitoral  com acções de propaganda, comícios e etc. por parte de todos os partidos até à meia-noite (embora sem expressão nos media do dia seguinte).
Convém muito sublinhar isto porque manifestamente há  quem imagine esse dia como um dia em que uns (a comunicação social) falariam o que quisessem e outros (os partidos) teriam de ficar calados.

Ai tão radical !

Raquel Varela gosta
de medidas que afinal
conduzem ao precipício


"O Governo reagiu subsidiando o passe para todos os dias fazerem três horas de viagem para trabalharem – em uma hora chegam a qualquer cidade europeia para trabalharem por mais e melhor... Gostei da medida, sou a favor, mas é mais um passo em frente rumo ao precipício."

-Raquel Varela hoje no «Público» 

Já os comunistas, o PCP e a CDU gostam mesmo da medida, pela qual lutaram desde 1997, que é mais um passo em frente no alívio dos orçamentos familiares.

29 setembro 2019

Silêncios, silêncios, silêncios

Alguém viu esta notícia
nos media portugueses ?


«Os generais dos EUA estão aparentemente
inconscientes das acusações de que eles arrasaram

aldeias sírias»
aqui

27 setembro 2019

Ainda Tancos

Rui Rio é livre de afinal
também  alinhar em
«julgamentos de tabacaria»,
escusa é de falsificar a posição
do PCP (primeiro inquérito
 judicial e só depois inquérito parlamentar)




 ouvir com atenção tudo o que o deputado
 Jorge Machado do PCP disse há um ano



E se Rui Rio acha que as comissões parlamentares de inquérito têm a mesma função e meios da Justiça, então estamos conversados sobre a sua ignorância e sobre o que pensa sobre a Justiça.

Um atrevimento

Aprendizes
 com farda  e à civil ? 

Peço desculpa pelo atrevimento mas o antigo e fracassado estudante de direito que sou, lendo este título tem as maiores dúvidas de que um despacho de acusação tenha de incluir considerações que são obviamente políticas.

Esta observação não é em nada contraditória com o facto de reconhecer que naturalmente o Exército e o governo tinham todo o interesse em que as armas roubadas fossem recuperadas.

Mas, se assim era, o que já me parece espantoso é que alguém tenha pensado que a simples recuperação das armas matava o caso «assalto aos paióis de Tancos». Ou seja, que achadas as armas ninguém perguntaria como tinham sido achadas, quem afinal as tinha roubado e onde estavam e o que tinha acontecido aos ladrões.

Peço desculpa outra vez  mas não consigo fugir à sensação de  haver na conduta de diversos intervenientes uma infantilidade e uma ligeireza de bradar aos céus que o famoso «espírito de corpo» e «sentidos de honra» do Exército (que naturalmente teria contagiado o Ministro da Defesa) não me parece bastarem para justificar. Siga a dança.

26 setembro 2019

O «caso Trump-.Biden»

Mas lá que disse, disse !

 A transcrição incompleta é devastadora.
Como pode Trump não saber disso ?



Pode-se conjecturar que, atentos os valores e as características sociológicas da base de apoio de Trump, pode não vir a fazer grande mossa a tentativa de impeachement desencadeada pelos democratas.
Pode-se, e bem, situar os negócios dos Biden na Ucránia no contexto do apoio norte-americano ao precedente golpe de Estado naquele país.
Mas não se pode ignorar, por força da própria transcrição, que Trump pediu a Zelenski para que fosse acelerada a investigação ao filho de um provável candidato concorrente às presidenciais do ano que vem.

P.S.: estão equivocados os que estranham que as conversas do Presidente dos EUA com líderes estrangeiros sejam gravadas  e divulgada a sua transcrição (parcial). A verdade é que, com limites, essas são regras norte-americanas e que, sem elas, nem teria havido o Watergate e a  consequente demissão de Nixon.

Senhoras e senhores, é a campanha eleitoral do CDS !

Quando o desprezo
e o pedido de votos se
 juntam na mesma frase




25 setembro 2019

No «JN» de Hoje

Quando uma manchete...

... põe em evidência a justeza da
 proposta central da CDU
 de criar uma rede nacional
creches públicas e gratuitas

23 setembro 2019

Quando a fome se junta à vontade de comer

Parece que vão
 coligar-se com a «desilusão»

«Na apresentação do programa de governo do CDS-Madeira para as próximas eleições regionais de 22 de setembro, o líder do partido, Rui Barreto, destacou que o CDS é “uma alternativa a um PSD, que é uma desilusão, e uma alternativa ao PS, que é uma ilusão”.»

Hoje de manhã

A que (des)propósito é
que veio, já dentro da campanha oficial, este debate Costa-Rio ?

Desiludam-se: ainda não
chegámos aos Açores !

22 setembro 2019

No espaço de dois anos

Os insondáveis mistérios
do mundo dos negócios


ou quando dever ao fisco e à
segurança social é sinal de boa
saúde financeira.

21 setembro 2019

Espanha : estilhaços em todas as direcções


La confluencia de izquierda, de la verdadera izquierda-porque en eso, convendremos que el PSOE gusta mucho de coger el violín con la izquierda pero tocar con la derecha- es imprescindible para hacerse con el poder. Eso es innegable, pero, ¿acaso una diferencia tan crucial cómo la mantenida entre Iglesias y Garzón no dificulta en sumo grado el normal desarrollo de esa confluencia? Mientras el primero únicamente quería un gobierno de coalición, el segundo era mucho más partidario de un acuerdo programático sin entrar en el gobierno. La primer opción sabemos a qué nos ha conducido: a unas elecciones a las que la derecha  y ultraderecha llega mucho más fuerte y unida que el pasado 28 de abril.(...)»

Trocando por miúdos

O que está por

detrás do «sem empecilhos»
«(...) Dê-se de barato em tal declaração a usurpadora pretensão do PS de se apoderar em exclusividade dos avanços de recuperação de direitos e rendimentos conseguidos nesta legislatura, mas é significativo e não pode passar em branco sem questionamento por todos aqueles que viram as suas vidas dar um passo em frente, por mais pequeno que seja, essa sua pretensão a “governar sem empecilhos”, porque ela é reveladora dos seus planos para frente.
Sim, camaradas, porque é que aspiram a “governar sem empecilhos”? Nós respondemos: - porque não queriam e ainda aceitam mal e resistem à reposição de direitos e rendimentos, porque não queriam e aceitam mal e resistem à valorização dos salários e das reformas, porque não queriam e aceitam mal e resistem em dar prioridade ao investimento para melhorar os serviços que o povo precisa, porque no centro das suas opções estão interesses dos grandes grupos económicos e não na vida das pessoas e do País. Estão os compromissos assumidos com Bruxelas de dar prioridade ao défice e aos acelerados ritmos de pagamento da dívida, mesmo que isso signifique continuar a andar para trás na vida das pessoas.
É por isso que o voto na CDU é tão importante e decisivo. Não para ser empecilho, mas sim o voto que conta para não deixar o PS de mãos livres para praticar a velha política, com ou sem PSD e CDS, o voto que decide a sério de uma outra política.(...)»
- Jerónimo de Sousa, no comicio de ontem na «Voz do Operário»

Porque hoje é sábado ( )

Devendra Banhart


Eles são muito pela paz

Essa esplendorosa democracia chamada Arábia Saudita sempre 
nas palminhas do Ocidente


(Guerra no Iemen: vídeos provam a presença
de navios vendidos pela França)



aqui

20 setembro 2019

A dois dias das eleições na Madeira

Um título muito 
inocente, isento e imparcial

E só duas notas: a primeira é que eu também criticaria um título que fosse «entre PS e PSD venha o diabo e escolha»; a segunda é que o «Público» quando comentar os resultados oficiais vai-se esquecer que fez este titulo.

19 setembro 2019

Novidade nas eleições em Israel


A Joint List 
(partidos árabes 
+ comunistas) 
passa a terceira força 


A visita daquele senhor que ...

Voltou
o inesquecível figurão



Vindo de um nevoeiro qualquer, Marinho Pinto, o padrinho político do Pardal Henriques, este ontem no «Polígrafo» da SIC não apenas para publicitar e endeusar o seu protegido mas sobretudo para desembestar numa catilinária violentíssima contra os sindicatos «tradicionais» que disse representarem 90% dos sindicalizados mas que não faziam pévia pela defesa dos interesses dos trabalhadores. E eu. como tenho alguma memória, acho que ele tem razão porque não vejo nenhum sindicato da área de Lisboa a reclamar 4.800 euros de salário para os seus filiados.

18 setembro 2019

Segurança social

No debate a 6 hoje falou-se 
 disto. Mas o PCP já tinha falado
 e proposto há 19 anos !

Relatando o debate na rádio hoje
ocorrido na rádio, diz o «Expresso»:
Ora a verdade é que as seguintes palavras foram ditas pelo infelizmente já falecido Lino de Carvalho na AR em Março de 2000 :
ler mais aqui

E agora, caros leitores, vai uma pequena reflexão sobre como  o preconceito contra o PCP leva a perder tantos anos na adopção de medidas justas ?

17 setembro 2019

14 setembro 2019

Dizem que é um «jornal de referência»

O «Expresso» agora
leva a 1ª página coisas
anónimas copiadas
do Facebook !

Como não me adiantava ignorar, aqui dou tranquilamente à estampa uma chamada na 1ª página do «Expresso» que nos remete para um texto no interior (um terço de página) de Rosa Pedroso Lima que se refere a um texto espalhado no facebook e que é «assinado»(???) por um conjunto de iniciais de supostos nomes. Eu já sabia mas, se não soubesse, por esta chamada ficava a saber que há eleições e que o PCP continua a gozar de grande simpatia no «Expresso». Retribuo a gentileza com outra gentileza: se o «Expresso» me oferecer uma garrafa de Chivas-2o anos eu ponho na net (também com esclarecedoras iniciais) meia dúzia de «manifestos» tão indigentes como aquele  que galvanizou o semanário fundado por Pinto Balsemão.

Porque hoje é sábado ( )

Ximena Sariñana


A sugestão musical deste sábado vai para a cantora mexicana Ximena Sariñana

Sempre um tema de vivo debate nos EUA







O documentário de Nanni Moretti no Cinema Ideal

A não perder .


13 setembro 2019

Dever de memória

«Cuatro cartas encontradas en la fosa común 127 del cementerio de Paterna han permitido identificar a un represaliado de la dictadura y contactar con sus descendientes, que ahora conocen mejor la historia de su abuelo. La correspondencia en las prisiones entre condenados a muerte y sus familias muestra cómo eran las últimas horas de vida de las víctimas de la represión franquista. Recuperamos otros tres casos en los que se conserva la correspondencia entre fusilados y familias.»






Por Rosa García, miembro de La Comuna.
«(...) Tras el golpe militar fascista de Franco, las mujeres republicanas sufrieron una represión feroz, selectiva y organizada. Fueron encarceladas, torturadas, violadas, humilladas, rapadas, fusiladas o asesinadas a garrote vil o a golpes, enterradas en fosas comunes, en cunetas, en descampados, ocultadas a sus familiares, despojadas de todo lo suyo –incluso de sus propios hijos–, anuladas. Esta represión extrema tenía como objetivo, primero, erradicar las ideas de igualdad y liberación que apenas habían empezado a aparecer en la II República pero que habían adquirido un papel muy importante en la lucha contra el fascismo. Segundo, como venganza y chantaje contra los hombres de su familia que defendían la legalidad republicana. Tercero, como piezas del botín de guerra del bando franquista.(...)
(continuar a ler aqui)

12 setembro 2019

Em editorial do «Público»

Uma torpe calúnia
 de Manuel Carvalho

O director do «Público» escreve hoje o seguinte a propósito do voto ontem aprovado na AR: «O PCP não desaprendeu a velha arte de apagar os personagens ou temas incómodos da fotografia e ontem teve o condão de envolver na sua tradição os parceiros da esquerda, o Bloco e o PS, para condenarem o denominado museu de Salazar

Sobre isto apenas três notas :

1. O PCP não só não pretende apagar nada nem ninguém porque, com as limitações decorrentes de já terem passado 49 anos sobre a morte do ditador e 45 sobre o fim da ditadura fascista, é o partido que mais persistentemente se esforça por manter viva a memória desse tempo sombrio e ignóbil e, mesmo agora, com a sua movimentação contra o Museu Salazar, os comunistas e outros democratas o que mais tem feito é  lembrar em vez de apagar.

2. O Manuel Carvalho que agora escreveu isto é o mesmo Manuel Carvalho que em  24 de Agosto escrevia que «O maior perigo dessa iniciativa está na condescendência bairrista com que o ditador vai ser tratado. Tudo o que o autarca (socialista!) de Santa Comba tem dito veladamente é que a terra tem o dever de homenagear os seus “grandes homens” ou os seus “estadistas”.  E ao fazê-lo nos espaços da infância de Salazar, no microcosmo rural e bafiento que vai da escola primária à capela ou ao cemitério, só nos resta uma expectativa sobre o que pode ser esse “centro interpretativo”: uma homenagem branqueadora e normalizadora de Salazar num ambiente dominado pelos valores tacanhos que sempre defendeu

3. Pelo próprio editorial de hoje se percebe que o que mudou para Manuel Carvalho desde 24 de Agosto foram as «garantias» dadas por  «historiadores insuspeitos». Ora Manuel Carvalho parece desconhecer que mesmo entre «historiadores insuspeitos» há muitas divergências na caracterização do salazarismo (una defendem que foi fascismo, outros que foi apenas um «regime autoritário»). E eu, por mim, custa-me a acreditar que a Câmara de Santa Comba Dão tenha gasto 150 mil euros na compra do espólio de Salazar para o deixar ficar a apodrecer num qualquer armazém municipal.

Adenda em 13 de Setembro

No «Público» de hoje, ocupando quase toda a secção de cartas ao director, a drª Raquel Henriques da Silva, directora do Instituto Português de Museus, perpetra uma acalorada defesa do chamado «Centro Interpretativo do Estado Novo» em Santa Comba Dão. E, sem pudor nem medida, resmunga : «Sem alarmismos, afirmo que o «povo de esquerda» está cada vez mais insuportavelmente ignorante, e, apresar disso, exige determinar o que os historiadores devem fazer». Face a isto só quero dizer duas coisas: a primeira é que isso de «historiadores » sem nenhum qualificativo a seguir é curto pois bem podemos calcular o que seria esse Centro Interpretativo se fosse João Ameal (já morto e que a drª Raquel não deve saber quem foi) a orientá-lo; a segunda é que os 18.000 portugueses que assinaram a petição contra o Museu Salazar  não são ignorantes porque até  sabem sobre o «Estado Novo» tudo aquilo que a Drª Raquel Henriques pelos vistos não quer saber.
A c

Isto foi tirado do Programa (original) do PAN

Tão amigos dos animais
 e tão "reconciliadores" com
os humanos violentos


Amanhã no «Ipsilon» do «Público»

A lição que por cá alguns
 são incapazes de aprender


Santiago, Itália, documentário de Nanni Moretti sobre o golpe de Pinochet em exibição no Porto (Cinema Trindade, 19h) e em Lisboa (Cinema Ideal, 21h30).

11 setembro 2019

Aos grossos quesitos responde nada

Paleio para embalar bébés




O Prof. Reis Torgal ( que com pena vejo envolvido nisto)gasta hoje mais uma página do «Público» a tentar inocentar o seu nmuito querido «Centro  Interpretativo do Estado Novo» a erguer na Escola Cantina Salazar situada na Avenida Oliveira Salazar em Santa Comba Dão. Ele escreve, escreve e escreve mas nunca nos conta que relevo vai ser dado a todas as incontáveis atrocidades do governo fascista de Salazar. Mas teve azar. É que hoje se completam 77 anos sobre o assassinato de Bento Gonçalves no Tarrafal onde morreram mais 35 resistentes antifascistas.


Chile, 11 de Setembro de 1973


A esperança 
atraiçoada e apunhalada



«(...) A treinta años del crimen, hay miserables que interpretan el suicidio de Allende como una derrota. No entienden las razones de un hombre leal, que en el fragor del combate entendió que su último sacrificio evitaría a su pueblo la máxima de las humillaciones; ver a su dirigente, a su líder, encadenado y a merced de los tiranos.

Queridas compañeras, queridos Compañeros: no hay honor más grande que el haber sido compañeros de lucha y de sueños de un hombre como Salvador Allende. No hay orgullo mayor que esos mil días liderados por el Compañero Presidente.

No somos víctimas ni del destino ni de la ira de un dios enloquecido. La historia oficial, la mentira como razón de Estado nos presenta como a responsables de un crimen que, cada vez que intentan explicar, las palabras huyen de sus bocas pues no quieren ser parte del vocabulario de la vergüenza. Si nuestro intento por hacer de Chile un país justo, feliz y digno nos hace culpables, entonces asumimos la culpa con orgullo. La cárcel, la tortura, las desapariciones, el robo, el exilio, el no tener un país al que volver, el dolor, si todo eso era el precio a pagar por nuestro esfuerzo justiciero, entonces sépase que lo hemos pagado con el orgullo de los que no renunciaron a su dignidad, de los que resistieron en los interrogatorios, de los que murieron en el exilio, de los que regresaron a luchar contra la dictadura, de los que todavía sueñan y se organizan, de los que no participan de la farsa pseudo democrática de los administradores del legado de la dictadura.

Junto a Salvador Allende fuimos protagonistas de los mil días más plenos, bellos e intensos de la historia de Chile. Sobre nosotros dejaron caer todo el horror, pero no consiguieron ni conseguirán borrar de nuestros corazones el Memorial de los Años más Felices.

Cuando en los momentos más duros de nuestros mil días, la provocación del fascismo, de la derecha, del imperialismo yanqui, hacía que la ira se instalara peligrosamente en nuestros ánimos, el Compañero Presidente nos aconsejaba: "Vayan a sus casas, besen a sus mujeres, acaricien a sus hijos". Ahora, a treinta años de la gran traición, que la cercanía de los nuestros, que el recuerdo de los que nos faltan, y el orgullo de todo lo que hicimos sean los grandes convocantes de lo que debemos recordar. Que las palabras Compañera y Compañero suenen como una caricia, y bebamos con orgullo el vino digno de las mujeres y los hombres que lo dieron todo, que lo dieron todo y pensaron que no era suficiente.»


Agosto 2003
Agosto 2003
Luís Depúlveda em
«Memorial dos Dias Felizes»


«(...)Numerosos agentes extranjeros tomaron parte en el drama. El bombardeo del palacio de la Moneda, cuya precisión técnica asombró a los expertos, fue hecho por un grupo de acróbatas aéreos norteamericanos que habían entrado con la pantalla de la operación Unitas, para ofrecer un espectáculos de circo volador el próximo 18 de septiembre, día de la independencia nacional. Numerosos policías secretos de los gobiernos vecinos, infiltrados por la frontera de Bolivia, permanecieron escondidos hasta el día del golpe y desataron una persecución encarnizada contra unos 7.000 refugiados políticos de otros países de América Latina.
Brasil, patria de los gorilas mayores, se había encargado de ese servicio. Había promovido, dos años antes, el golpe reaccionario en Bolivia que quitó a Chile un respaldo sustancial y facilitó la infiltración de toda clase de recursos para la subversión. Algunos de los empréstitos que han hecho los Estados Unidos al Brasil han sido transferidos en secreto a Bolivia para financiar la subversión en Chile. En 1972, el general William Westmoreland hizo un viaje secreto a La Paz, cuya finalidad no se ha revelado. No parece casual, sin embargo, que poco después de aquella visita sigilosa, se iniciaran movimientos de tropa y material de guerra en la frontera con Chile y esto dio a los militares chilenos una oportunidad más de afianzar su posición interna y de hacer desplazamientos de personal y promociones jerárquicas favorables al golpe inminente.
Por fin, el 11 de septiembre, mientras se adelantaba la operación Unitas, se llevó a cabo el plan original de la cena de Washington, con tres años de retraso, pero tal como se había concebido: no como un golpe de cuartel convencional, sino como una devastadora operación de guerra.
Tenía que ser así, porque no se trataba de tumbar a un gobierno, sino de implantar la tenebrosa simiente del Brasil, con sus terribles máquinas de terror, de tortura y de muerte, hasta que no quedara en Chile ningún rastro de las condiciones políticas y sociales que hicieron posible la Unidad Popular. Cuatro meses después del golpe, el balance era atroz: casi 20.000 personas asesinadas; 30.000 prisioneros políticos sometidos a torturas salvajes, 25.000 estudiantes expulsados y más 200.000 obreros licenciados. La etapa más dura, sin embargo; aún no había terminado. (...)».

Gabriel Garcia Marques aqui
em
«Chile, el golpe e los gringos»

46 anos depois ainda há disto