11 setembro 2017

11 de Setembro (*) de 1973 no Chile

Simplesmente, ouvindo
de novo Allende e relendo
de novo Neruda e Luís Sepúlveda

 
Pablo Neruda
Eu não me calo.
Eu preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.
Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres
E se logram matar o revoltado
Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.

Memorial dos Anos Felizes
(2003)



aqui

(*) É claro que também houve outro 11 de Setembro em Nova Iorque e seja também claro que não esquecemos a dor do poo americano e das famílias das vítimas.

O «El Mercurio», jornal que instigou o golpe, omite hoje em 1ª página qualquer referência a esta efeméride mas, em contrapartida, prossegue os combates que actualmente lhe são possí
veis.


 

09 setembro 2017

Salvo erro ou omissão

Destas inaugurações
não gostam as televisões



Hoje à tarde em Peniche: com a presença de centenas de democratas, inaugurado memorial aos presos políticos. Uma grande jornada marcada pelo respeito da memória, por emoções fortes e firmes convicções democráticas.
Ex-presos em Peniche fotografados junto ao memorial. Ao centro, de bengala e boné na mão, alguém que eu não ia há muitas décadas: Firmino Martins, meu companheiro de luta na CDE de Lisboa e o corajoso e destemido ferroviário que, numa greve na CP antes do 25 de Abril, se deitou na linha para impedir a saída de um comboio.

Porque hoje é sábado ( )

The National




A sugestão musical deste sábado vai para
duas canções do novo álbum -
Sleep Well Beast - dos The National


08 setembro 2017

voltando a uma velha e fracassada pedagogia

Cuidado com a parvoíce
das décimas em sondagens

 

Espero não morrer sem ver um dia um órgão de comunicação social,  tendo em conta mudanças de décimas, vir dizer ao estimado público: «prezados leitores, ouvintes ou telespectadores, hoje não há sondagem para ninguém porque está tudo na mesma».
É mesmo o caso da sondagem do «Expresso» que «a subir» só dá «o PSD, não lembrando que 28,7% seria um dos piores resultados do PSD em 42 anos de eleições !.

É que mudanças de décimas não significam rigorosamente nada. Para o compreender, basta er que a sondagem tem uma margem de erro de 3% o que, neste caso, corresponde à opinião de 24 pessoas (considerando que só 801 escolheram algum partido). E, assim sendo, o que as décimas referidas pelo «Expresso» significam é que uma variação de + 0,6% no PSD significaria hipotéticamente a mudança de opinião de  4,8 pessoas (a uma fica a cabeça de fora), a «queda» da CDU  de 0,3% significaria a mudança de opinião de 2,4 pessoas e a queda do CDS  de 0,1% significaria a mudança de opinião de 8 partes em 10 de uma pessoa.

E pronto, amigos, para o ano
volto a escrever o mesmo.


07 setembro 2017

Os Bolsonaros do Brasil

Quem sai aos seus,
não degenera


Eduardo também tenta justificar, no documento, crimes de tortura praticados durante a ditadura. “Não cabe defesa à tortura, mas esta, se ocorreu, não precedeu ao terrorismo. O contrário é verdadeiro. O Estado brasileiro teve de usar seus recursos para fazer frente a grupos que não admitiam a ordem vigente e, sob esse argumento, implementaram o terror no País. Os militares, em especial, e os demais agentes públicos cumpriram sua missão tendo seus eventuais excessos apurados e punidos como de praxe se faz na caserna.”

O «Estadão» não o refere e «o tempo das cerejas» não conseguiu apurar se o projecto de lei de Bolsonaro Filho refere o que aconteceu no Brasil nos dias 31 de Março e 1 de Abril de 1964.

Autárquicas no Porto

Palavra (sagrada) de Assis




06 setembro 2017

Um livro estrangeiro por semana ( )

Post dedicado, entre outros,
a Eduarda Pimenta, Hélder Costa,
António Russo Dias e Simão Santiago


(membros do Grupo Cénico de Direito
que também foi a Nancy)



Apresentação
: «C’est à Nancy que les festivaliers et la France découvrent le Teatro Campesino, le Bread and Puppet Theatre, Bob Wilson, Tadeusz Kantor, Jerzy Grotowski, Pina Bausch, Terayama, Kazuo Ōno, la Cuadra de Séville, le Teatro Comuna de Lisbonne ou encore le Brésilien Augusto Boal.



De 1963 à 1983, le Festival mondial du théâtre de Nancy, créé par Jack Lang, a bouleversé le paysage théâtral. Surfant sur la vague du théâtre universitaire en Europe, forte au début des années soixante, le Festival allait bientôt devenir mondial et professionnel, parcourant la planète pour faire venir à Nancy les nouveaux talents étrangers, et s’imposant comme un rendez-vous précieux.



Durant deux décades marquées par des guerres, des dictatures, des coups d’État et Mai 68, sans beaucoup de subventions mais avec des hordes de bénévoles dévoués, le Festival fut un foyer du théâtre protestataire, un laboratoire de l’utopie où s’inventèrent des formes de théâtre nouvelles chahutant le primat du texte.



Ce fut le festival de la jeunesse, une folle ambiance faite de rencontres, de liesse et de discussions jusqu’au bout de la nuit. C’était avant le temps d’Internet, des portables et des ordinateurs, le dernier festival du XXe siècle. C’est cette histoire sans pareille, nourrie d’archives et de nombreux témoignages, que ce livre raconte.»

aqui, na Politis nº 1467,
uma recensão sobre este li
vro. 
 Hélder Costa na caixa de comentários:
«Obrigado pelo envio desta novidade que eu ignorava. O Cénico de Direito foi 3 vezes a esse Festival ( quando era reservado a Teatro Universitário). Correu bem,boas criticas, aprendemos bastante e tivemos menções honrosas em 1966 e 1967. Uma nota cómica e irónica. Como director do grupo fui chamado ao juri em 1966. Queriam dar -nos o grande prémio do tema imposto. Tive que recusar. E eles - porquê? porque apresentamos à Censura um texto que não tem nada a ver com o que fizemos aqui. Se nos pedirem para fazer o espectáculo em Portugal, temos a Pide em cima... »

No último número de «Politis»

Uma piada
luminosa e mortífera !


«Os franceses detestam as
reformas», diz Macron.
Que se saiba, eles não
desceram à rua quando
se criou a segurança social.
P.S.: em rigor, o mais certo até é terem descido à rua mas para a celebrar e festejar.