20 setembro 2011

A história registará (com espanto!)


Portugal,
20 de Setembro de 2011



Daqui por três ou quatro décadas, investigadores ou historiadores em viagem pelas páginas amarelecidas em hemerotecas ou  por reluzentes  arquivos digitais, descobrirão de boca aberta que no dia 20 de Setembro de 2011 um jornal português fazia chamada de 1ª página para o aumento trinta cêntimos e dois euros  no auxílio à compra de manuais escolares. Mas esses futuros investigadores, a tal distância, não terão condições de saber se a chamada de 1ª página era uma sacanice feita ao governo de então ou um preito de homenagem à coragem e sensibilidade social dos governantes em época de tão grave crise.Talvez um outro mais desconfiado procure em edições dos meses seguintes se porventura minitros passaram a ser recebidos com chuvas de moedas de cêntimos lançadas pela populaça.

Por causa da crise, recordando...

The Kinks



The 'Class War' Debate—in Music, Courtesy of the Kinks

Back when I was a young whippersnapper—shortly after Noah and the Flood, in Rick Perry’s account—I was a huge fan of Ray Davies and The Kinks [1964-1996], going back to the early days of the British Invasion. The group became more of a cult favorite after a few years, but I hung with them, and even got to meet and interview Ray a couple of times for my old magazine Crawdaddy. 

Now it strikes me that in the 1960s and early 1970s they recorded at least three classic songs, only one of them well-known (“Sunny Afternoon”), that portray today's economic situation and alleged “class war” in the USA.  So here they are.

First, representing the plight of the poor and working class:


Then,, the rich, worried about losing
their yacht and all they got


And finally, “Money and Corruption,”  where “crooked politicians betray the working man.”   Promises, promises,“all we get are promises.”


19 setembro 2011

A pobreza americana e os neoliberais europeus

Uma data de americanos
que são uns tontos


De cada vez que alguém como eu e outros citamos e informamos sobre dados preocupantes relativamente à pobreza e outras desigualdades sociais nos EUA, há sempre uns rapazes que melhor não têm do que desvalorizar os dados, designadamente ensinando o padre-nosso ao vigário, ao insistirem  que estamos, nestas matérias, sempre a falar de pobreza relativa e nunca esquecidos que um pobre português vive pior que um pobre americano ou francês ou que vive melhor que um pobre indiano, sem que isso em nada diminua, atenue ou console cada país ou sociedade que vive o seu próprio problema da pobreza.

Agora, o oficialíssimo USA Census Bureau acaba de publicar um relatório em que revela que a pobreza atingiu nos EUA o maior número de cidadãos - 46,2 milhões - desde há 52 anos (o que não significa um aumento da percentagem - 15,1% da população - dado o aumento desta ao longo destas seis décadas).

A propósito disto, nos próprios EUA veio logo um estudo pago pela ultra-conservadora Heritage Foundation demonstrar que o padrão de vida dos pobres actuais era entretanto superior aos do pobres da Grande Depressão ou dos anos 60, coisa que havia de estar clara até a olho nu.

Os que costumeiramente em Portugal costumam responder sobranceiramente a estes dados sobre a sociedade americana (e, ai, os sobre as crianças são de fugir !) nunca me explicam é porque é que o USA Census Bureau perde tempo e dinheiro em certamente dispendiosos e complexos inquéritos anuais, que universitários em barda escrevem livros sobre o tema, que ene associações públicas privadas assumem a causa do combate à pobreza e que, por exemplo, o New York Times acaba de divulgar um extenso material sobre estes últimos dados do USA Census Bureau. Devem ser todos tontos.





ver melhor aqui
ou clicar na imagem.

O «Público» e as eleições no Estado de Berlin

Critérios, critérios



Leio no Público uma notícia de 14 linhas sobre as eleições ontem realizadas no Estado de Berlim. Reparo então que a notícia refere o resultado de apenas 4 partidos : o do SPD (29,5%), o da CDU (23,5), o do FPD (2%, sem obter representação) e a surpresa do Partido dos Piratas (7%). Se outras razões não houvesse, e há pois trata-se de Berlim, dou comigo a reparar que a soma desses resultados dá apenas 62% e que para 100% falta alguma coisa. E descubro que até a Wikipédia já informa (ver abaixo) que o Público se esqueceu do resultado  da Aliança 90-Verdes (com 17,6%) e de  Die Linke
por sinal a quarta força mais votada com 11,6% e cujo resultado tem significado político (neste caso não positivo) porque se trata da força que era aliada do SPD na governação do Estado.
Enfim, deve ser apenas o velho e crucificante drama jornalístico da fala de espaço.

18 setembro 2011

E terminando o dia com a portuguesa


Susana Santos Pinto






Do álbum Devils Dress

De novo em Lisboa

Estrella Morente


No El País online, desenvolvida e elogiosa notícia sobre a actuação de Estrella Morente, ontem em Lisboa, no Festival de Flamenco a decorer até hoje no Coliseu dos Recreios.

Pelo reconhecimento da Palestina como membro da ONU

Amanhã, 18 hs., Casa do Alentejo



70 FIGURAS PÚBLICAS DA SOCIEDADE PORTUGUESA SUBSCREVEM APELO AO RECONHECIMENTO DO ESTADO DA PALESTINA COMO MEMBRO DE PLENO DIREITO DA ONU

Correspondendo a uma iniciativa do MPPM, sete dezenas de individualidades representativas de todos os sectores da sociedade portuguesa, em que se incluem três galardoados com o Prémio Pessoa, subscreveram um apelo em que recomendam o Governo Português "a adopção, em todos os fóruns internacionais, e designadamente no Conselho de Segurança e na Assembleia-Geral da ONU, de uma posição favorável ao reconhecimento do Estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967, incluindo Jerusalém Oriental, como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas". Os subscritores incluem professores universitários e investigadores, deputados ao Parlamento Europeu e à Assembleia da República, autarcas e vereadores, dirigentes sindicais, artistas plásticos, encenadores e actores, escritores e poetas e profissionais liberais.
O documento passa em revista os 64 anos decorridos desde que, em 1947, a Assembleia-Geral da ONU, aprovou a resolução número 181 que estabelecia o princípio da criação de dois estados, até ao presente, em que apenas o estado de Israel foi formalmente constituído e aceite como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas, e remata: "Neste contexto, o reconhecimento do estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967, incluindo Jerusalém Oriental, como membro de pleno da Organização das Nações Unidas, constitui uma directa e legítima decorrência dos princípios consagrados, desde 1947, nas resoluções pertinentes da ONU. Tal decisão não exclui nem compromete a necessária regulação bilateral futura que determinará o desenho internacionalmente reconhecido das fronteiras do novo estado da Palestina. No quadro presente, contudo, atentas as ameaças que impendem sobre a viabilidade de uma resolução para este conflito justa e conforme com o direito internacional, o reconhecimento pleno direito da Palestina no seio da Organização das Nações Unidas traduz um renovado compromisso da comunidade internacional na implementação do princípio dos dois estados e apresenta-se, por isso, como uma contribuição útil para tornar realidade a sua concretização".

17 setembro 2011

Porque hoje é sábado (306)


Roseanne Vitro
 

A sugestão musical de hoje é dedicada
a uma grande cantora e songwriter de jazz,
a norte-americana Roseanna Vitro,último álbum se intitula
Roseanna Vitro and the music

of Randy Newman.





Sail Away

Um buraco sonegado e maior que a ilha

Bem pregam os freis laranjas



Se é barro atirado à parede, respondo que...

... nem 20%, nem 10%, nem 5%,tenha a EDP lucros menos exorbitantes !


~

A respeito desta notícia que parece parida por um spin governamental que aposta na técnica «sabendo que vai ser menos, façamos correr que vai ser de 30% o aumento de electricidade porque depois o povo vai dizer "vá lá, do mal o menos, não foi tanto como se disse"», só quero lembrar três coisas.

A primeira é que ainda há poucas semanas foi anunciado um extraordinariamente gravoso aumento do IVA sobre a electricidade.

A segunda é que tenho à minha frente uma factura da EDP referente a dois meses de consumos (ainda com o IVA a 6%) e com um valor total de 143.33 E. e onde se pode ler em letra pequenina : «* o valor indicado inclui os custos relativos ao uso das redes e os custos de interesse económico geral decorrentes das medidas de política energética, no valor de 73,10 E


A terceira é que talvez convenha lembrar aos que agora mandam que candeeiros a petróleo ou mesmo candeias podem dar para comermos ou queimar as pestanas mas não dão para fazer funcionar fogões, esquentadores, frigoríficos, televisores, rádios, computadores, campaínhas das portas e toda uma infindável série de sibaríticos luxos a que nos habituámos e que na última década tanto contribuiram a situação em que o país está.