20 abril 2012

18 abril 2012

Quando a vida chega à Assembleia

Ontem no Jornal
da Noite
da SIC ...



Aqui, a partir dos 5 minutos.

... e hoje, na AR, em debate
promovido pelo PCP



A precisarem de um trapo encharchado

Um vendaval ou
furacão de agressões



Esta manchete de hoje do Público suscita-me em curto três observações principais:


- a primeira é que não tenho a menor dúvida de que nunca, a partir do 25 de Abril de 1974, se assistiu a um tão frenético e quase diário vendaval de medidas ou planos de agressão aos direitos e condições de vida dos portugueses, a tal ponto intenso e avassalador que ainda não se teve tempo para articular politicamente uma resposta ou linhas de defesa sobre uma e já outra está em cima da mesa, o que constitui na acção política de oposição uma dificuldade assinalável;

- a segunda é para descer ao concreto e traduzir por miúdos a intenção ou plano anunciados na manchete do Público, explicando que, por exemplo, um trabalhador de 50 anos, despedido com 30 anos de antiguidade receberia, na melhor das hipóteses, 300 dias de indemnização, ou seja 10 meses de salário em vez dos 900 dias (30  meses) até há pouco em vigor, ou seja ficaria com um plafond de rendimentos para enfrentar a sua mais que provável dificuldade em encontrar emprego rapidamente esgotável.

- a terceira é que, tendo toda a obrigação de o saber, porque trabalhei de Novembro de 1971 a Junho de 1974 no Sindicato dos Caixeiros de Lisboa onde todos os dias fazia essas contas, não consigo garantir se, nas vésperas do 25 de Abril, a indemnização por despedimento era de 15 dias ou de um mês por ano.  Seja como for, uma coisa é absolutamente certa e indiscutivel: o que o governo agora anuncia ou planeia é um recuo em relação à própria legislação laboral dos últimos anos do fascismo. E assim fica quase tudo dito.

17 abril 2012

Juan Carlos, o elefante e a cadeira

Diz-me o calibre da bala,
dir-te-ei o calibre do Rei


Os interessados podem ler aqui uma saborosa revista de imprensa sobre este momentoso assunto assinada por José Maria Izquierdo no El País. Eu, por mim, não conseguindo imaginar que no Botswana, o encontro de Juan Carlos com a caça grossa decorresse num cenário de coragem  tipo «duelo ao pôr do Sol», só me resta expressar sentidas condolências às famílias  enlutadas dos animais abatidos.
E, entretanto, apreciem esta crónica no mesmo jornal da escritora Rosa Montero:



No este Rey

La crisis arrecia y tal vez no sea el momento de cambiar el sistema. Pero sí podemos cambiar a este Borbón: que se vaya

En las críticas contra el Rey de estos días suele haber una frase agradeciéndole “sus grandes servicios al país”. Se refieren a que en el 23-F apoyó la democracia. Yo creo que al defender la legalidad simplemente hizo su deber, así que eso de los “grandes servicios” me parece una hipérbole cortesana. Pero vale, vamos a agradecérselo, porque desde luego lo podría haber hecho mucho peor, como tantos monarcas que la pifiaron a lo largo de la Historia.
Siempre pensé que tanto la monarquía constitucional como el sistema presidencial tienen sus pros y sus contras. Pero desde que he visto las fotos del Rey convertido en un vetusto Gran Soberano Matarife en África (más parecido a Idi Amin que a la Reina Margarita de Dinamarca, por poner un ejemplo), me ha entrado un frenesí republicano. Ya se sabía que era cazador; ya se habló en 2006 del supuesto oso domesticado, que, según un funcionario ruso, le habrían echado al Rey en Rusia para que lo matara. Pero que ahora, justo ahora, salgan a la luz las opulentas carnicerías, los búfalos a pares y los elefantes convertidos en un muro rugoso de carne ensangrentada, es algo indecente e indignante. Por la burda ostentación económica en tiempos tan amargos; por la falta total de sentido de la realidad; por la irresponsabilidad. ¿Qué patológica inseguridad puede llevar a alguien a tener que matar un maravilloso elefante para reafirmarse? Por todos los santos, ¡pero si ya es Rey! ¿Qué más necesita para sentirse importante? ¿Montarnos una guerra? Me gusta el animalismo de la Reina y el Príncipe Felipe me cae bien. La crisis arrecia y tal vez no sea el momento de cambiar el sistema. Pero sí podemos cambiar a este Borbón: que se vaya. Mientras tanto, y para hacer dedos, echémosle de la presidencia ecologista de WWF: http://actuable.es/peticiones/que-rey-juan-carlos-i-deje-ser-presidente-honor-de.

16 abril 2012

Os incríveis republicanos dos EUA

Volta Joe (McCarthy),
estás quase perdoado !





A crise do bom senso

Uma suposta "reforma agrária"
em 600 - hectares - 600 !




O DN dá hoje grande destaque ao leilão dos restantes 600 hectares (*) da Reforma Agrária e consegue em editorial lavrar estas espantosas linhas : «A nova Reforma Agrária. A história tem disto. Repete-se. Ainda que as razões políticas sejam outras, que a conjuntura económica e social seja diferente e que a retórica ministerial seja mais astuta. E a "Reforma Agrária" está de regresso. Aquilo que hoje muitos vão ler como o fim das terras expropriadas pela Revolução - o leilão dos últimos 600 hectares que restavam da reforma de 1975 - é afinal o primeiro passo para o regresso ao campo. Com a curiosidade de acontecer pela mão do CDS.»


Palermices como estas mais me obrigam a sugerir aos que não acompanharam essa gesta histórica e heróica dos trabalhadores rurais dos campos do Sul a, entre outras, visitarem três obras fundamentais sobre aquele processo que desmontam falsificações e mentiras milhares de vezes repetidas sobre aquele processo.

(*) Convém recordar que, no pico do seu desenvolvimento, a Reforma Agrária chegou a atingir cerca de 1.100.000 hectares. Mas convém também lembrar, porque se trata de contrariar uma das mais perigosas mistificações que na época circularam, que essa área correspondia apenas a um terço da área agrícola total da Zona de Intervenção da Reforma Agrária, o que quer dizer que nos campos do Sul a pluralidade das formas de exploração agrícola nunca esteve em causa ou ameaçada.



15 abril 2012

Para o seu domingo, voltando a

Esperanza Spalding
em «City of Roses»



Pergunta inocente

Isto também foi a votos
nas últimas eleições ?



Perante esta manchete do Expresso de ontem, e para além da pergunta do título, para já só quero lembrar algumas coisas:

1. Uma coisa é permitir-se que as pessoas que o desejem continuem a trabalhar para além dos 65 anos e outra, absolutamente injusta e de vistas curtas, é impôr  o aumento em dois anos da idade legal de reforma;

2. Quando os governantes e seus propagandistas a este respeito vierem com o argumento do aumento da esperança de vida convém que se saiba que, como lembrei há uns anos aqui com base em estudos franceses e se confirmou recentemente por estudos portugueses, há sensíveis variações quanto à esperança de vida entre classes ou categorias profissionais (por exemplo, os operários morrem vários anos mais cedo que os quadros);

3. Convém não esquecer que, por razões não desejáveis mas que em grande parte subsistem, as mulheres chegam à idade de reforma muito mais desgastadas do que os homens;

4. Que se está farto de saber que o plafonamento das pensões (empurrando para os seguros privados), é pelo menos a curto e a médio prazo, uma forma de descapitalização da segurança social;

5. Que os cínicos que estão sempre a proclamar que são os trabalhadores mais velhos que tapam o acesso ao emprego dos mais novos, deviam ter vergonha na cara e reconhecer que o aumento da idade da reforma só pode significar um acesso ainda mais tardio dos jovens ao mercado de trabalho.

6. Falta saber se a recente proibição das reformas antecipadas não está perfidamente relacionada com este plano de aumento da idade de reforma.