08 novembro 2017

Um dia será

Não, infelizmente
não está de partida


Há um ano foi eleito com menos 3 milhões de votos que a sua adversária mas numa «grande democracia» e para «grandes democratas» isso são pormenores insignificantes .

Um programa espectacular !

Museu de Arte
Contemporânea de Montreal homenageia Leonard Cohen




ver programa aqui

«(...)Una de las muestras más esperadas es la que albergará el Museo de Arte Contemporáneo de Montreal, del 9 de noviembre al 9 de abril de 2018, bajo el título Une brèche en toute chose (Una brecha en todo). La muestra va más allá de un proyecto biográfico: el museo pidió a músicos, cineastas y artistas visuales reflexionar y crear a partir del amplio legado de Cohen. Las obras de artistas como la estadounidense Jenny Holzer, la británica Tacita Dean, el alemán Kota Ezawa o el hongkonés George Fok y la música de la belga Mélanie De Biasio, el estadounidense Moby o la francesa Lou Doillon ocuparán seis salas, en un ejercicio que va de lo local a lo universal. John Zeppetelli, director general de este centro, describe a Cohen como “un hombre profundamente montrealés y, a su vez, un icono planetario”. Por su parte, el Ballet Jazz de Montreal está representando el espectáculo Dance Me/Leonard Cohen con canciones del canadiense. »
El País

07 novembro 2017

Se não fosse assim, só teriamos silêncio


Outubro  vive no coração
e acção de milhões de homens e
mulheres de todo o mundo !


 
No túmulo dos livros,
versos como ossos,
se estas estrofes de aço
acaso descobrirdes,
vós as respeitareis,
como quem vê destroços
de um arsenal antigo,
mas terrível.
Ei-la,
a cavalaria do sarcasmo,
minha arma favorita,
alerta para a luta.
Rimas em riste,
sofrendo o entusiasmo,
eriça
suas lanças agudas.
E todo
este exército aguerrido,
vinte anos de combates,
não batido,
eu vos dôo,
proletários do planeta,
cada folha
até a última letra.
O inimigo
da colossal
classe obreira,
é também
meu inimigo
figadal.
Anos
de servidão e de miséria
comandavam
nossa bandeira vermelha.
Nós abríamos Marx
volume após volume,
janelas
de nossa casa
abertas amplamente,
mas ainda sem ler
saberíamos o rumo!
onde combater,
de que lado,
em que frente.

(A Plenos Pulmões, Maiakovsky 1928-1930)

04 novembro 2017

Porque hoje é sábado ( )

Sabrina Claudio


A sugestão musical deste sábado vai para a
cantora norte-americana Sabrina Claudio.




Artigo de Manuel Loff no «Público»

Uma senhora pazada
de terra sobre tantos outros textos



«(...) Como escreveu Moshe Lewin (O Século Soviético, 2005), “as representações do sistema soviético” reproduzidas no Ocidente, “largamente influenciadas pelas realidades ideológicas e políticas de um mundo bipolar”, baseadas em “juízos fundamentalmente ideológicos”, têm, desde sempre, impedido avaliar com rigor a dimensão social e cultural do projeto soviético. A sobrepolitização da análise do sistema soviético levou — e leva ainda — a que se “estude a URSS exclusivamente no seu estatuto de Estado ‘não democrático’ e se discuta o que não era, em vez de tentar compreender o que era”.

Na era do medo e do choque como instrumentos de gestão política (Naomi Klein), é revelador que a patologização das revoluções como processos de mudança tenha desenterrado as formas mais preconceituosas de encarar a história. Entre os piores vícios de análise das revoluções que por aí campeiam neste centenário de 1917 estão, antes de mais, essa essencialização da violência como caraterística genética da Rússia e da sua cultura, ou a ideia de que as revoluções, mais do que resultado da ação e da tomada de posição de grandes atores coletivos e da intersecção de tendências profundas (que maçada ter de as estudar...), são produto da manipulação de revolucionários profissionais, de líderes sobre-humanos (Lenine, Estaline) descritos como protagonistas da violência ideocrática, e, portanto, atores sociais desligados do conjunto da sociedade. Da mesma forma que as teses tradicionais da sovietologia ocidental (sobretudo Robert Conquest, 1968) e o próprio discurso oficial da URSS pós-estalinista e da Rússia pós-soviética elevaram Estaline ao altar de “tirano sanguinário empenhado em conseguir o poder total”, dessa forma “esquivando-se ao desafio narrativo de ter de dar conta da variedade das vítimas e dos perpetradores e desentranhar a complexa história da violência política na URSS” (James Harris, O Grande Medo, 2016), o discurso que se tem produzido no centenário continua a falar da “Revolução de Lenine”, que, por essa mesma autoria individual, não teria sido “uma marcha de forças sociais abstratas e de ideologias” (Orlando Figes, A Tragédia de Um Povo, 1996). Se há atitude que diz muito do ciclo de desdemocratização em que vivemos é, aliás, este regresso da velha abordagem que procura o cabecilha, em vez de entender o movimento. »