Intervenção de João Ferreira
«Cheios de cinismos dizem querer homenagear os portugueses. Pois
convidamo-los a virem fazer essa homenagem numa urgência de hospital com
espera interminável, numa das filas para a sopa dos pobres, ou no
desespero duma fila do centro de emprego.Não há limpeza nenhuma senão a dos bolsos dos portugueses e a dos direitos que a Constituição consagra.
Mas também não há “saída” nenhuma. A mentira infame dos que vendem o país, dos que traem os interesses nacionais, chega a invocar um novo 1640.
Fazem-no para escondem uma outra data. Pelo menos até 2038, de acordo com os compromissos assumidos entre troikas, nacional e estrangeira, Portugal estará sob a chamada “vigilância reforçada” do FMI e da UE, com inspecções regulares e sujeito a sanções.
Alguns relógios que por aí andam, com a contagem decrescente para a saída da troika, têm de ser atrasado quase um quarto de século.
Mas mesmo que a troika saísse de vez, cá ficariam os violentos condicionamentos do euro e do seu Pacto de Estabilidade (que anda há uma década e meia a semear instabilidade), cá ficariam o Tratado Orçamental e todas as outras regulamentações decididas ao nível da União Europeia (como a governação económica e o semestre europeu), cá ficaria tudo isso a vigiar e a garantir o prosseguimento da austeridade. Pelo menos mais vinte anos dizem eles! Mais 20 anos de exploração, de liquidação de direitos e de saque dos salários e das reformas, ao sabor dos interesses dos especuladores.»
- intervenção de Jerónimo de Sousa
«(...)Mas, caros amigos e camaradas, esta pré-campanha eleitoral está marcada também por outros factos significativos, desde logo, pela intensificação das manobras de mistificação e mentira para alijar responsabilidades próprias da parte do PSD, do CDS e do PS na grave situação que o País enfrenta e iludir os reais objectivos das suas opções e da sua política em relação ao futuro.
Nunca se mistificou e mentiu tanto, em tão curto espaço de tempo!
Se a mentira e a mistificação pagassem impostos, estes partidos iam à falência.
Da parte do governo e da sua Aliança eleitoral, assistimos a uma campanha de propaganda, um colossal embuste, tentando criar a ilusão de uma mudança da sua política para o futuro e tentar levar ao engano outra vez os portugueses.
Veem anunciar novas promessas que vão ao arrepio das suas verdadeiras intenções.
Tal como no passado, prometem agora fazer o contrário do que têm feito e pretendem continuar fazer.
Proclamam aos sete ventos que a concretização do Pacto de Agressão foi um êxito, passando por cima das muitas e muitas vidas destruídas, dos dramas escusados, infligidos de forma deliberada a centenas de milhares de portugueses.
Querem riscar uma realidade que tornou o País ainda mais frágil e que hipotecou o seu futuro! (...)
É por tudo isto que o voto na CDU é a atitude mais coerente de todos aqueles que não se resignam e lutam para derrotar este governo e a política de direita.
É por tudo isto que o voto na CDU é o contributo fundamental para
derrotar aqueles que como Rangel dizem que a nossa Constituição da
República é letra morta e é fundamental para não termos mais do mesmo
como propõe o PS ao afirmarem que isto só lá vai com mais federalismo!
Dar mais força à CDU é dar mais força à luta dos trabalhadores e do
povo. É dar força à ideia que é possível e está ao nosso alcance uma
real alternativa sustentada numa política patriótica e de esquerda capaz
de assegurar a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do
povo e defender os interesses, a soberania e a independência de
Portugal.
Dar mais força à CDU é afirmar que com a força do povo, é possível um
Portugal com futuro, numa Europa dos trabalhadores e dos povos.
Vamos para o combate que aí está. Vamos à luta com confiança!»


