23 abril 2012

Sociologia eleitoral

Nos bastidores dos votos em França




A ver aqui


Resultados finais:I  : 44.382.905; V  : 35.709.299; E  : 35.018.520; Abs : 19,54%; Eva Joly 791.056  2,26%; Marine Le Pen 6.344.097  18,12%; Nicolas Sarkozy 9.479.515  27,07%; Jean-Luc Mélenchon 3.887.639  11,10%; Philippe Poutou 404.525  1,16%; Nathalie Arthaud 199.585  0,57%; Jacques Cheminade 86.963  0,25%; François Bayrou 3.189.257  9,11%; Nicolas Dupont-Aignan 632.847  1,81%; François Hollande 10.003.036  28,56%.

22 abril 2012

1ª volta das presidenciais francesas

Sarkozy em apuros,
alternância à vista




Se os resultados reais e finais confirmarem ou se aproximarem destas previsões, então talvez se possam fazer os seguintes comentários imediatos:


1. François Hollande (que foi obrigado pelas circunstâncias a faer uma campanha mais à esquerda do que as orientações passadas (e provavelmente futuras) do PS francês, será o mais votado e disputará a 2ª volta com Sarkozy que obtém um resultado nada vistoso para um Presidente em exercício (menos 4 ou 5 pontos do que na 1ª volta de 2007).

2. Marine Le Pen (que Melenchon combateu mais do ninguém [*]) será o terceiro candidato mais votado (subindo 3 pontos em relação às últimas sondagens), num resultado que tem tanto de notável como arrepiante e que só surgirá como inacreditável para quem nunca queira ter percebido que a Frente Nacional é uma realidade política detestável mas sólida e socialmente enraizada. Atente-se que este partido mantém sistematicamente ao longo de duas décadas altas ou significaticvas percentagens de votos apesar de administrativamente ficar sempre excluída do Parlamento e perguntemos quantas forças políticas e eleitorados resistiriam eleitoralmente tão bem a uma tão longa exclusão do Parlamento.

3. Jean- Luc Melenchon, a grande revelação desta campanha e candidato do Front de Gauche (coligação que reune o PCF, sua força principal, e o Parti de Gauche do próprio candidato) não chegará ao que as sondagens lhe chegaram a atribuir mas alcança, naquelas condições concretas, um excelente resultado. Embora agora o seu candidato não fosse membro do Partido e não cuidando agora das questões que se poden vir a colocar com a evolução do Front de Gauche em relação com a  identidade de e afirmação própria do PCF, a verdade é que, com este resultado, o PCF sacode uma antecedente e preocupante trajectória em presidenciais (M-G Buffet 1,9% em 2007; R. Hue 3,37% em 2002; R. Hue 8,64 em 1995 e André Lajoinie 6,76 em 1988). O resultado de Melenchon, para além de algumas condicionantes que possa representar para um provável mandato de Hollande, projecta sobretudo para o Front de Gauche uma dinâmica de confiança e esperança para as próximas legislativas de Junho (embora nunca integralmente reflectidas no número de deputados por força do iníquo sistema eleitoral).

4. O «centrista» F. Bayrou, após cinco anos de ziguezagues, indefinições e equilibrismos do seu Modem, obterá um score de cerca de metade do que teve em 2007 e  a candidata verde, Eva Joly subirá 0,8% em relação ao candidato verde em 2007.

5. A extrema-esquerda representada nestas eleições por Nathalie Artaud de Lutte Ouvriére e por P. Poutou do NPA volta a resultantes ínfimos, o que revela sobretudo a erosão e ocaso do fenómeno NPA/Besançon (4,8% em 2007).

6. Se não houver surpresas que desmintam dados de anteriores sondagens, François Hollande deverá ganhar a 2ª volta graças sobretudo à contribuição da esmagadora maioria dos eleitores de Melenchon e ao facto aventado de Sarkozy mobilizar apenas cerca de metade do eleitorado de Marine Le Pen e F. Bayrou.

7. No fim da 2ª volta das presidenciais francesas, provavelmente não sairá nenhuma perspectiva de uma mudança real e profunda das políticas e opções até agora dominantes mas abre-se o horizonte de melhores condições para o prosseguimento dessa luta essencial e indispensável.


[*] Jean-Luc Melenchon declarou mesmo esta noite o seguinte : «Reconnaissant que "l'extrême droite est à un haut niveau", M. Mélenchon a jugé qu'il avait eu "raison de concentrer notre campagne sur l'analyse et la critique radicale des propositions de l'extrême droite, si nous ne l'avions pas fait peut-être le résultat de ce soir serait encore plus alarmant". Il a également critiqué à la fois gauche et droite sur cette question : "Nous nous sommes sentis seuls à certains moments dans cette bataille, l'un imitait l'autre ignorait. Honte à ceux qui ont préféré nous tirer dessus plutôt que de nous aider."


Para o seu domingo, o pianista colombiano

Juan Andrés Ospina




 Todavia No

21 abril 2012

"Tamanha paz social"

O gosto da caricatura 
se não for coisa pior


Em crónica no Público de hoje, embora suponha que num sentido irónico e veladamente crítico, a jornalista Leonete Botelho escreve designadamente (sublinhados meus): «Os portugueses são o orgulho deste Governo. Poucos executivos na Europa conseguiriam aplicar esta receita de austeridade com tamanha paz social como a que proporcionamos ao espectáculo político mundial. É preciso aprovar um orçamento (dois, com o rectificativo) cujo resultado líquido é menos um quinto do rendimento para as famílias ? O PS resmunga, mas subscreve. É preciso mudar as leis laborais e caminhar para instituir a precariedade como regra geral do trabalho? A UGT refila, mas subscreve. A CGTP marca uma greve geral ? O povo critica os grevistas [portanto, os grevistas não são povo !, concluo eu], a polícia carrega sobre os manifestantes e nada mais faz história.(...) Os portugueses estão totalmente  dispostos a fazer sacrifícios , porque é pelo sacrifício que se redimem os pecados. A austeridade foi elevada à categoria de fatalidade de que só sofrimento salva . Há algo de sagrado neste desígnio, e os portugueses estão dispostos, disponíveis e à disposição. Do Governo, da troika e dos mercados. Amén.».

Feita honestamente esta longa citação, só me apetece dizer três coisas breves (que, por serem assim, revelam aliás alguma falta de paciência):

1. A mim, não me passa pela cabeça proclamar que a contestação social esteja ao nível da excepcional e nunca vista gravidade dos ataques e agressões que a maioria da população tem sofrido assim como não ignoro, nesse âmbito, todos os reflexos negativos da chamada «psicologia de crise».

2. Mas isto é uma coisa e outra completamente diferente - porque preconceituosa, cega, ligeira e acabando por levar a água ao moinho da política que se parece criticar- é falar de uma «tamanha paz social».

3. Por ser sábado, não me apetece fazer a lista de todos as lutas, acções de protesto, manifestações e greves ocorridas contra a política e medidas deste governo e também não me apetece fazer a longa lista daquelas a que o Público não ligou nenhuma ou menorizou.

Presidenciais francesas

Como cá não votamos,
não faz mal falar hoje do
que não está nada simples





Com referência a diversas sondagens e estudos, o El País publica hoje uma peça sobre o estado de espírito e assinalável volatilidade de uma grande fatia do eleitorado francês que vale a pena ler porque, quem sabe, ajudará a entender melhor o que se vai saber domingo à noite (atenção que não haverá sondagens à boca das urnas). Um extracto :


O mais interessados em sociologia política e eleitoral podem consultar aqui este estudo do CEVIPOF







Entretanto, o Libération, já fora da campanha, respondia hoje assim ao cartaz de Sarkozy :
não está mal desarrincado,
não senhor

Tal como a pescada, antes de ser já o era

Mas francamente
estavam à espera de quê ?




Sim, isto só pode ser surpresa
para governantes que acreditam
 em contos de fada.

Porque hoje é sábado ( )

Mariah McManus


A sugestão musical de hoje
 propõe a cantora indie norte-americana
Mariah McManus, cujo último
 álbum se intitula Nice To Meet You.



Nice to Meet You

20 abril 2012

Ouçam com atenção a portuguesa

Sofia Ribeiro






 "Os Teus Olhos" - canção a integrar
 no seu novo álbum "Ar" 
com produção, arranjos e piano
 de Juan Andrés Ospina

Apelo de intelectuais

Se não conhece,
é tempo de conhecer este


(texto integral aqui)

signatários 

A dois dias da 1ª volta

Se o Libération pergunta assim...

... e responde assim...
affolées= enlouquecidos, transtornados, desnorteados
  
... então conviria mais
a resposta de  
L' Humanité