07 fevereiro 2014

Três versões

Desmentido
veemente do governo ...





Passos Coelho e Paulo Portas
já responderam:



... e comunicado do FMI, BCE e CE:


06 fevereiro 2014

Desemprego ou...

... o admirável
mistério dos números




Segundo INE, e com vastos festejos do Governo, a taxa oficial (a real é outra coisa, está farto de ser demonstrado) teria baixado no último trimestre de 2013 de 15,6% para 15,3%, ou seja, teria baixado 0,3 pontos percentuais. Ora dois terços de 0,3 representam 0,2% pelo que se tem de concluir que, a ter havido quebra no desemprego, foi de 0,1 pontos. Como se vê, mais um grande "sinal positivo" sobretudo quando se sabe que, segundo os números oficiais os portugueses desempregad0s (cerca de metade sem qualquer subsídio) são

e, olhando estes números garrafais,
 façamos um esforço para ver pessoas
 e os seus dramas e amarguras.


aqui

05 fevereiro 2014

Só para quem tiver paciência

A ver se nos (des)entendemos



Alguns leitores estranharão porventura que, saindo dia sim dia não um artigo de alguma personalidade que vem mais uma vez lamentar ou criticar, em termos genéricos e sempre distribuindo equitativamente responsabilidades, a falta de «convergência» ou «unidade» à esquerda, eu esteja tão calado sobre o assunto. As razões desse meu silêncio conjuntural são graficamente exibidas lá mais para baixo. Entretanto, à parte isso, porque isto de ser velho e ter alguma memória as vezes estraga a «festa» de outros, por hoje só quero lembrar algo, no domínio da contextualização, que anda esquecidíssimo, a saber:

Durante cerca de 37 anos (e excluo os últimos três porque aí já mais gente parece ter acordado para o problema), o PCP defendeu infatigavelmente a necessidade da «unidade» ou «convergência» das «forças democráticas» ou «de esquerda» (com variações semânticas ao longo do tempo, como é natural) e, mesmo sem ter encontrado o mínimo eco designadamente no PS, não deixou de prestar à democracia, entre outros, o nobre e relevante serviço (em que pessoalmente mantenho o maior orgulho) de, pela sua orientação e indicações de voto, ter impedido a eleição como Presidentes da República do general Soares Carneiro (em 1980), de Freitas do Amaral (em 1986) e de Cavaco Silva (em 1996).

Durante esse longuíssimo período, esse apelo do PCP (sempre associado à premência de uma diferente política) foi, em regra, sempre tratado pela generalidade dos «media», comentadores e outras forças políticas como uma insuportável cassete comunista que não merecia qualquer ponderação razoável ou séria.

Isto significa mais concretamente que, tanto durante as governações da direita como das governações do PS (mesmo quando em minoria parlamentar) como ainda nas governações do PS com a direita, praticamente nunca houve qualquer sobressalto exterior ao PCP a favor da «convergência» das «forças democráticas» ou «de esquerda» e se é certo que algumas das personalidades referenciadas no início deste post sempre poderão dizer que não tinham idade para se ralarem com essas coisas, a verdade é que há muitas outras que viram o que eu vi e viveram o que eu vivi.

Finalmente, se não estou enganado e pode ser que seja um mero acaso, a verdade é que, nos dias de hoje, tenho a sensação de que, quando o assunto do dia é uma grave convergência do PS com a direita governante (aprovação do Tratado Orçamental, privatizações feitas por este governo mas que foi o PS que preparou, diminuição das indemnizações por despedimento, - etc.,etc. porque para não prejudicar a unidade não quer cometer a crueldade política de fazer uma lista exaustiva- não é publicado nenhum dos artigos a que me reporto - e nos termos que os têm caracterizado - sobre a «unidade das esquerdas».

E agora...





aqui em 16 de Maio de 2012







mais, muito mais, sobre estes temas
pode ser encontrado neste blogue
 pesquisando no canto superior esquerdo
 por temos como «alternativa»,
«plataforma», «convergência» etc.



Tenham dó, senhores dos "media"



JN
i

Estados Unidos da América

Aumento das
desigualdades reconhecido


aqui




03 fevereiro 2014

Perplexidades de um cidadão comum

Fica abaixo, não fica,
em que ficamos ?



Expresso de 25.1.2014
jornal «i»

Eu não duvido nem por um segundo que, comparando estas duas notícias separadas apenas por uma semana, os economistas tenham carradas de explicações até eventualmente simples para esta discrepância. Acontece que os cidadãos comuns não têm nenhuma  obrigação de ter cursado no ISEG ou em Economia da Católica e disto tudo só podem ficar comn a sensação de que alguém anda a enganar alguém (eu tenho opinião sobre quem engana). E talvez seja tempo de dizer que coisas destas também abandalham e degradam a democracia e ofendem e desrespeitam os cidadãos.

Custou mas foi


DN de hoje

Ainda Portas em Espanha

Três cenários que
tinham ficado melhor




No «El país», assinalando a sua morte

Uma grande foto 
de um grande actor
Philip Seymour Hoffman

«Actas secretas» diz «El País»

Tudo gente séria e leal



  

aqui

02 fevereiro 2014

Para o seu domingo, o norte-americano

Cass McCombs






Ainda se lembra ?





A tragédia de que ninguém fala

Coitadinhos, bilionários
vítimas de um novo Holocausto !


Ler mais aqui

A PROPÓSITO DAS PRAXES MAS SOBRE AS NÃO PRAXES

Há 54 anos,
"A batalha do convívio"-

um texto fundador de
Pedro Ramos de Almeida



Um outro número do Quadrante com outro
artigo de Pedro Ramos de Almeid
a

Na impossibilidade de ter acesso à integralidade do texto, aqui fica a referência feita por Ana Cabrera, num seu estudo sobre o jornal Quadrante da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, ao artigo "A Batalha do Convívio» que, em Março de 1960, o estudante e militante comunista Pedro Ramos de Almeida publicou naquele jornal e que creio ser de toda a justiça considerar como a definição de toda uma linha de actuação - alheia às praxes, excepção feita a Coimbra - depois infatigavelmente prosseguida pelas Associações de Estudantes com vista à integração dos novos alunos.


 

01 fevereiro 2014

Sincera e angustiadamente

Meu Deus, o que
vai nestas cabeças ?


Até me custa escrever o que vai a seguir porque o Rui Tavares pode pensar que há muito o tomei de ponta, o que não é verdade, pois até o considero uma pessoa simpática, inteligente  e estimável, sendo verdade sim que considero que produz declarações e expende ideias muito erróneas com elevada frequência. Mas acontece que o «i» lhe atribui hoje, e com aspas,  a seguinte afirmação:

Deixando agora de lado a questão de saber se não é precisamente em matéria europeia que existem assinaláveis divergências envolvendo o PS, o PCP e o BE, o que eu não percebo é este patente agitar do papão de a direita poder «ganhar» as próximas europeias. 

E, a este respeito, eu só pergunto a Rui Tavares (e a muitos outros que têm andado para aí a raciocinar viciosamente como se as eleições se decidissem apenas a três -PS, PSD +CDS):

- estão esquecidos que o PSD e o CDS vêm de umas autárquicas em que, como só eu disse mas também ninguém me desmentiu, tiveram o seu pior resultado de sempre ?

- estão esquecidos que mesmo na única sondagem -a da Aximage/Correio da Manhã - que deu nas europeias a coligação PSD-CDS um ponto à frente do PS, a coligação PSD-CDS tinha menos 15 pontos percentuais que a soma das votações do PS, da CDU e do BE ?

- estão esquecidos que ,nas sondagens sobre legislativas, o conjunto PSD e CDS também aparece num dos seus piores patamares de sempre e que a soma das percentagens do PS, da CDU e do BE vai dos 55 aos 57% ?

É claro que pode haver uma explicação para esta ideia de Rui Tavares e de outros de que PSD e CDS podem «ganhar» as europeias. É a ideia superficial e falsa de que «ganha» as eleições quem fica à frente, mesmo que vá coligado quando dantes não ia e mesmo que os coligados tenham perdido uma caterfa de pontos percentuais em relação a anteriores eleições.

E já agora, a pensar em quem tanto fala de «convergência de esquerda», esta é uma ideia falsa e equivocada que só pode beneficiar o PS e prejudicar a CDU e o BE (e o Livre se concorrer). Combatê-la-ei até mesmo depois de a voz já me doer.

Porque hoje é sábado (359)

Marcela Mangabeira








Desculpem lá a ignorância mas...

 ... agora o Estado paga
obras através de subvenções ?


 
Este post está a ser colocado à 1.35 hs., altura em que o jornal «i»  naturalmente  ainda não disponibilizou a notícia completa, apenas nos dizendo que «No caso da Mota-Engil, a subvenção de 8,142 milhões de euros é justificada com o pagamento de obras de interesse turístico relativo à construção do novo Museu dos Coches, em Lisboa.». E, pronto, nada mais tenho a dizer a não ser o que está no título.

31 janeiro 2014

Uma crise sem adjectivo

Duplicação de reuniões
e violas no saco

Quem assim o achar pode chamar-me de velho, de embirrento, de formado numa «arqueológica» escola política e de insensível às exigências de «transparência» das sociedades modernas. Façam favor, não se acanhem.

Mas, mesmo correndo esse risco, como de outras vezes sem qualquer acrimónia de natureza pessoal, eu não posso deixar de opinar que o que está em cima referido pelo Público a respeito de um partido em constituição  não resiste a um módico de espírito crítico e só pode aparecer como uma espécie de foguetório mediático e de procura da diferença pela diferença.

Por duas razões que me parecem óbvias e elementares:

- a primeira é que nem o órgão executivo do partido mais original e informal do mundo deixará de ter assuntos reservados a tratar, sejam eles de natureza administrativa, táctica ou estratégica, o que é evidentemente incompatível com a presença de jornalistas; e, assim sendo, é legítimo que se pense que num tal partido o que passará a haver são reuniões do tal órgão executivo para comunicação social ver e outras fechadas à comunicação social onde aí sim se discutirão as questões partidárias e políticas  mais sensíveis ou delicadas:

- a segunda é que a abertura à comunicação social das reuniões de órgãos relevantes de um partido serão inevitavelmente não um factor de liberdade de opinião para os seus membros mas um poderoso constrangimento a essa liberdade e à expressão de divergências pois que, quando cada membro falar, estará a pensar no que poderá ser reproduzido na comunicação social do dia seguinte.

Desculpem lá, mas há aqui uma crise que evidentemente não é propriamente social, económica ou política mas para a qual não encontro (ou não quero encontrar) o adjectivo adequado.

Celebrando o 31 de Janeiro de 1891...

... um fado da República
que chegaria 19 anos depois



 

Estava na cara

Foram avisados e não
ligaram, agora tomem




Em 16 de Janeiro avisei aqui os rapazolas da JSD e os grandolas do PSD que, « antes de lá chegarem [ao referendo]  se é que chegam, serão generalizadamente gozados e odiados por terem imposto ao país (isto, se o PR, como mandaria um pingo de dignidade e independência, não se recusar a convocá-lo) uma campanha eleitoral e uma votação nacional sobre um tema que é da perfeita competência da AR, numa altura em que a maioria dos portugueses, por força de brutais cortes que nunca foram sujeitos a referendo, todos os dias conta os euros que já gastou e os que lhe sobram

Ontem uma sondagem do jornal «i» e da Pitagórica deu este resultado:



E, para além destes dados exuberantes, tenha-se em conta que, tanto quanto me lembro, a tradição em Portugal nas sondagens sobre a realização de referendos dava sempre uma maioria a querê-los a todos, sendo que depois ir às urnas votar já era outra conversa.

Volto a este tema pela simples razão de que, ao contrário de muito boa gente,  não tenho assim tanta certeza de que não haverá referendo nenhum. Relembro que, mesmo que o TC chumbe a actual proposta (e não faltam razões para isso), o projecto volta para a AR e o PSD sempre pode alterar as perguntas. No fundo, gostemos ou não, a verdadeira garantia de que não haverá este estúpido referendo virá a estar nas mãos e vontade do Presidente da República. Mas, antes disso, também poderá estar nas mãos de um PSD que tome boa consciência do alto preço político que vai pagar perante a opinião pública pela insistência nesta repugnante manobra.

30 janeiro 2014

Farto, fartinho deste truque ou engano !

Hoje resolvi exercer
o meu direito à birra


Daniel Oliveira perpetrou no Expresso online um artigo, manifestamente a propósito das falhadas negociações do BE com o 3D (matéria que não me interessa comentar) onde há, sem dúvida, algumas coisas certas (designadamente a imprescindibidade de um reequilibrio de influência eleitoral entre o PS e os partidos à sua esquerda) e muitas que mereciam um comentário crítico.

Neste último caso, por exemplo, esta: «Se nada for feito a direita acabará, contra todas as previsões, por vencer as próximas eleições legislativas ou, mais provável, o PS governará com ela. Porquê? Porque o PS não tem que se preocupar com o seu flanco esquerdo, que se encarrega de se boicotar a si próprio. Pode continuar a desculpar-se com a impossibilidade de fazer alianças com aquele lado.»

Por exemplo, também esta:«
E a verdade, hoje, é esta: ao contrário do que julgam PCP e BE, ao PS saem de borla as viragens à direita. Porque nenhum eleitor do PS acredita que PCP e BE alguma vez queiram realmente governar. E faz muitíssimo bem em não acreditar.»


Por exemplo, ainda esta: «De uma coisa não tenho dúvidas: basta aparecer à esquerda uma força digna de algum respeito e credibilidade [sempre a nunca explicada «credibilidade»] para que aconteça um terramoto político em Portugal».

E a nada disto respondo, critico ou desvendo o que de erróneo está por detrás destas palavras por causa do seguinte período do mesmo texto de Daniel Oliveira em que, embora comece por referir que «É verdade que a cultura de cedência socialista não é propriamente nova», nem por isso deixa depois de produzir este naco de prosa: «Não foi a direita que usou um décimo do que a Europa produz para salvar os bancos. Foi a direita e foi a esquerda. Não foi a direita que trouxe a troika e assinou um memorando que é um programa ideológico escrito por fanáticos. Foi a direita e foi a esquerda. Não foi a direita que aprovou um Tratado Orçamental que ilegaliza políticas keynesianas. Foi a direita e foi a esquerda

Ou seja, entendam-me bem: ao menos por uma vez, eu quero recusar-me a discutir com uma estimável pessoa que, sendo um experimentadíssimo comentador e activista político, dotado aliás de bastantes recursos semânticos, sabendo perfeitamente que é do PS (ou, à escala europeia, os partidos socialistas e social-democratas) que está a falar consegue por três vezes escrever que também « foi a esquerda».


E, pela enésima vez, volto a repetir: o espaço é uma coisa preciosa na imprensa e estou farto desta generalizada teimosia ou ligeireza intelectual que leva a, em vez de gastar dois caracteres - "PS" -, insistir em gastar oito - "esquerda".