30 dezembro 2011

Acontece...

A cada um
a sua maneira de dizer
Ressalvado que não compro  o Expresso e que sei muito bem como são por vezes traiçoeiras as chamadas de 1ª página para entrevistas, resolvo admitir  que esta afirmação atribuída a Jorge Sampaio na capa do semanário não corresponda à ideia que, mais desenvolvidamente, porventura ele tenha expressado no corpo da entrevista. Dito isto, não posso deixar  de assinalar que, se esta afirmação fosse autêntica, não me pareceria nem muito feliz nem muito pedagógica nem muito acertada. Com efeito, esta ideia da «ausência de política» pode estar a ter um certo curso ou possuir uma certa sofisticação mas eu creio que, se a finança domina, não é por por ausência de política mas por causa da existência de  uma política que, por várias décadas, construiu e facilitou a dominação da finança e nela apostou deliberada e conscientemente. A última vez que aqui  falei disto foi aqui.


29 dezembro 2011

Sam Rivers (25.9.1923 – 26.12.2011)

Good Bye Sam
Sam Rivers em foto de 2007

Quando um blogue bate a imprensa ou ...

... a coisa está muito feia



clicar nas imagens para aumentar



A VERMELHO = MÁ   A AZUL = BOA





 aqui o relatório de 23 páginas

Pergunta dos The Clash a Passos Coelho

Should I stay or should I go ?(1982)


Darling you got to let me know
Should I stay or should I go?
If you say that you are mine
I’ll be here ’til the end of time
So you got to let me know
Should I stay or should I go?

Always tease tease tease
You’re happy when I’m on my knees
One day is fine, next day is black
So if you want me off your back
Well come on and let me know
Should I stay or should I go?

Should I stay or should I go now?
Should I stay or should I go now?
If I go there will be trouble
An’ if I stay it will be double
So come on and let me know!

This indecision’s bugging me
Esta indecision me molesta
If you don’t want me, set me free
Si no me quieres, librame
Exactly whom I’m supposed to be
Dime que tengo que ser
Don’t you know which clothes even fit me?
¿sabes que ropas me quedan?
Come on and let me know
Me tienes que decir
Should I cool it or should I blow?
¿me debo ir o quedarme?

Split!
Yo me enfrio o lo sufro

Should I stay or should I go now?
yo me enfrio o lo sufro
Should I stay or should I go now?
yo me enfrio o lo sufro
If I go there will be trouble
Si me voy - va a haber peligro
And if I stay it will be double
Si me quedo es doble
So you gotta let me know
Pero me tienes que decir
Should I cool it or should I go?
yo me enfrio o lo sufro

Should I stay or should I go now?
yo me enfrio o lo sufro
If I go there will be trouble
Si me voy - va a haber peligro
And if I stay it will be double
Si me quedo es doble
So you gotta let me know
Pero me tienes que decir
Should I stay or should I go?

28 dezembro 2011

Em 2012,



O centenário de Woodie Guthrie



No New York Times, uma desenvolvida peça dá conta do preparativos no Estado de Oklahoma pra a celebração do centenário do nascimento de Woodie Guthrie, natural daquele Estado dos EUA e que terão seu ponto alto com uma grande exposição qie beneficia da compra por uma fundação privada de um vasto espólio assim descrito: «The archive includes the astonishing creative output of Guthrie during his 55 years. There are scores of notebooks and diaries written in his precise handwriting and illustrated with cartoons, watercolors, stickers and clippings; hundreds of letters; 581 artworks; a half-dozen scrapbooks; unpublished short stories, novels and essays; as well as the lyrics to the 3,000 or more songs he scribbled on scraps of paper, gift wrap, napkins, paper bags and place mats. Much of the material has rarely or never been seen in public, including the lyrics to most of the songs. Guthrie could not write musical notation, so the melodies have been lost.
The foundation, which paid $3 million for the archives, is planning a kickoff celebration on March 10, with a conference in conjunction with the University of Tulsa and a concert sponsored by the Grammy Museum featuring his son Arlo Guthrie and other musicians. Although the collection won’t be transferred until 2013, preparations for its arrival are already in motion. Construction workers are clearing out piles of red brick and wire mesh from the loading dock in the northeast end of the old Tulsa Paper Company building, in the Brady District of the city, where the planned Guthrie Center is taking shape. The center is part of an ambitious plan to revitalize the downtown arts community. »


A watercolor and a typed lyric sheet in a 1952 notebook,
part of a rich trove of personal material that
makes up the Guthrie archives.

Guthrie's hometown, Okemah, Okla., did not honor
him until lately: today the town has a statue,
above, and an annual festival


As celebrações do centenario inluirão naturalmente diversos concertos em que participará também Jonatha Brooke que, em 2008, com músicas suas, editou um disco - Works - só com canções de Woodie Guthrie.





Madonna on the Curb

JONATHA'S NOTE:

Funny how a propos this one still is today, even though Woody wrote the lyric in 1939. We're still traipsing around the world trying to tell everyone else how to run their countries, and we can't even take care of our own. There's also a pared down version of this song on the album "Songs for Tibet" ? to benefit the Art of Peace Foundation.

LYRICS:

On the curb of a city pavement, by the ash and garbage cans.
In the stench of rolling thunder of motor trucks and vans,
There sits a little lady with brave but troubled eyes,
And in her arms a baby that cries and cries and cries.
She cannot be more than three, but the years go fast in the slums,
And hard on the pangs of winter's cold, the pitiless summer comes.
The wails of sickly children she knows, she understands,
The pangs of puny bodies, the clutch of small hot hands.
The deadly blaze of August that turns men faint and mad,
She quiets the peevish urchins by telling of dreams she had.
Of heaven with its marble stairs, and ice and singing fans.
And God in white, so friendly there, just like the drug store man.
On the curb of a city pavement by the ash and garbage cans.
In the stench of rolling thunder of motor trucks and vans,
There sits a little lady with brave but troubled eyes,
And in her arms a baby that cries and cries and cries.
So when you're giving millions to Belgian Pole, and Serb,
Remember my beautiful lady, MADONNA ON THE CURB


Coisinhas sem importância

Vamos bem !

manchete do DN de hoje
Sim, foi para coisas assim que se inventou a expressão «tratar-nos da saúde» !

27 dezembro 2011

"Some Place like America"

Um prefácio de Bruce Springsteen




A P2 do Público de hoje dedica duas páginas ao livro de Dale Maharidge com fotos de  Michael Williamson "Some Place Like America: Tales from The New Great Depression" e ao prefácio de Bruce Springsteen que, para quem não tiver lido no Público, está aqui.


Mais fotos aqui em The Washington Post

26 dezembro 2011

Miles Davis (1926-1991)

O grande Miles
continua a render


Conta hoje El País que Miles Davis afirmou uma vez que «houve, além do mais, umas quantas gravações ao vivo que suponho que a Columbia publicará quando lhes pareça  que vão a sacar delas mais dinheiro; provavelmente quando eu já esteja morto». O grande e inesquecível trompetista americano acertou. Acaba de sair um coffret de 3 CD e dois DVD com a digressão do seu «segundo grande quinteto» pela Europa em 1967. Miles Davis era então acompanhado por Wayne Shorter,  Herbie Hancock,  Ron Carter e Tony Williams.
Nesta nova edição, um tema  com
 5 minutos de Miles Davis  aqui.

Correia de Campos

Como escrever muitas
palavras sobre o acessório,

fugindo ao quesito essencial


Nenhuma dúvida de que Portugal tem futuro. O dr. Correia de Campos que, entre outros atributos, já era considerado um especialista em Administração Pública e em Saúde, em artigo hoje no Público sobre o caso EDP revela-se também um especialista em questões energéticas. Mas a minha inveja pessoal por esta capacidade de dominar as mais diferentes matérias não me impede de registar que este seu artigo é uma espécie de papel de tournesol sobre as posições e a política do PS. Com efeito, o dr. Correia de Campos consegue escrever 1072 palavras  e 6970 caracteres mas nelas e neles não encontramos a mais pequena dúvida ou reserva à privatização da parte minoritária que o Estado ainda detinha na EDP. Apenas e tão só reservas quanto à decisão do governo do PSD-CDS quanto ao concorrente escolhido. Reservas aliás acompanhadas da muito esclarecedora piada de que «ironia do destino, privatizamos a EDP [dr. Correia de Campos, olhe que o PS já tinha privatizado bastante da EDP] para ela passar para o sector público de uma grande potência», quando maior ironia do destino é que a China seja, por exemplo, o maior titular da dívida norte-americana. Por abissal diferença com o dr. Correia de Campos e com o PS, estão melhor de consciência os que nem têm de dar opiniões sobre ganhadores ou perdedores  de concurso, sejam eles quem forem, porque sempre se opuseram à privatização da EDP, ponto final, parágrafo.

O cinismo das palavras

Já lhe tinha ouvido
chamar muita coisa


manchete do Público de hoje

Sim, já tinha a visto a coisa ser chamada de privatização, de assalto aos bens do Estado, de venda das «jóias da coroa», reconstituição e engrandecimento de grandes grupos económicos privados graças a decisões estatais (é em grande medida a história do capitalismo português desde 1926) e até de apropriação privada de empresas que já eram públicas no tempo de Salazar. Mas «democratização» nunca tinha ouvido. Mas, pronto, não há nada como uma palavra bonita e decente para embrulhar coisas muito feias e indecentes.

A não perder em PDF gratuito

L' Humanité de 22 de Dezembro



Aqui, a partir da página 11.

25 dezembro 2011

E, para o final do seu domingo, «apenas»...

... Maria Farantouri e
o Charles Loyd New Quartet


Vá lá então

She & Him
em Blue Christmas...



... e ainda Andy Williams,
Nat King Kole, Bing Crosby
e Frank Sinatra


Poemas

Dia de Natal

de António Gedeão


Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas


Poema de Natal


de Vinicius de Morais




Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

24 dezembro 2011

21 imagens

O Natal visto
pelas câmaras da Magnum


Nova Iorque, 1990- um pai Natal consulta
o mapa do metro.
(Foto de Erich Hartmann. Slideshow aqui.)

Noite de Natal



1ª página do Público de hoje
... e a sua contribuição para a
ceia de Natal dos desempregados.

Porque hoje é sábado (316)

Miguel Zenon


A sugestão musical deste sábado destaca
o sax alto porto-riquenho
Miguel Zenon


Esta Plena

Olas y Arenas aqui

23 dezembro 2011

Porque tristezas não esticam salário nem encurtam mês

Regresso ao Bucha e Estica

O canal ARTE oferece até 1 de Janeiro cerca de 15 filmes de Laurel & Hardy talvez em pró-memória da nossa meninice.

Baixos salários e competitividade

Onde está boa parte deles ?


Não me custa admitir nem me choca nada que possa haver leitores deste blogue a quem já enjoe a minha insistência em coisas que têm que ver com alguma memória. Paciência, prefiro de longe que isso aconteça do que entrar no grupo daqueles para quem cada dia é um dia, cada semana é uma semana, cada mês é um mês e tudo sem nexos ou correlações.

Vem esta arenga a propósito de que, se bem me lembro, desde há pelo menos 20 anos, deixando de parte eventuais reservas mentais, era extraordinariamente díficil senão quase impossível encontrar um governante ou economista de qualquer quadrante que tivesse a coragem de sustentar que a vantagem, o futuro e a utilidade de Portugal permanecer num modelo de desenvolvimento e competitividade da economia baseado nos baixos salários.

E agora que à redução de salários se junta o aumento da jornada de trabalho e agravadas condições de vida, é caso para perguntar sem dó nem piedade: por onde anda boa parte dos governantes e economistas que então integravam pacificamente o consenso enunciado no segundo parágrafo ? Meteram a viola no saco e andam a morder a língua ?

22 dezembro 2011

Reformas em metade em 2020 ?

A última (se fosse mesmo a última não
me importava tanto) de Passos Coelho




Outros já disseram -e bem - sobre quanto é inadmissível a declaração de Passos Coelho de que em 202o as reformas estarão em metade e em como uma tal afirmação é deliberadamente promotora de medo e insegurança, limitando-me eu a acrescentar que também visa empurrar cidadãos para os sistemas privados de segurança social.

E também quero acrescentar que estas previsões da falência da segurança social pública são velhas e relhas, sem qualquer fundamento sério, e que curiosamente os que as debitam nunca quiseram levar a sério as propostas do PCP de, de forma gradual e ponderada, criar novas fontes de financiamento baseadas no Valor Acrescentado criado pelas empresas em vez de baseada apenas no número de trabalhadores.

Mas, admitindo por absurdo, que a previsão-ameaça do primeiro-ministro tivesse algum fundamento, caberia perguntar a respeito de duas coisas que são da directa responsabilidade do seu governo. A saber: a crescente e exponencial despesa com os subsidios de desemprego (pagos pelo Orçamento da  segurança social) e a bomba de retardador que é a transferência dos fundos de pensões da banca para a segurança social não têm nada que ver com cenário que a sua irresponsabilidade criou ?.

Atrevo-me entretanto a pensar que há muito tempo que não tinhamos um primeiro-ministro tão ligeiro, tão de plástico e tão marioneta do que, em cada momento, Relvas, Gaspares e Álvaros lhe sopram aos ouvidos.

Tocando "Prelude #1" de H. Villalobos

Milos Karadaglic

21 dezembro 2011

Novas da cruzada pelo federalismo

Uma proposta para
Paulo Rangel levar ao PSD


Em artigo de opinião no Público de ontem, Paulo Rangel, deputado do PSD ao PE, prosseguia a sua litania sobre o fim das soberanias nacionais e a excelência do federalismo europeu, salientando designadamente: «Ora, esta insistência na vontade democrática dos povos, apurada unicamente no quadro das fronteiras estatais, em que cada povo se toma por soberano, está largamente desajustada da realidade política global dos nossos dias (...)Num universo político com estas feições, o peso e o sentido do voto dos cidadãos - do voto de um povo - no quadro da sua colectividade estatal, perdeu efectividade, perdeu relevância, perdeu poder.(...)».

Não, não e não, desta vez não venho lembrar como seriam excelentes os pináculos federalistas em que a mais pequena transformação progressista em cada país da UE ficaria dependente da simultânea vontade eleitoral de mais de metade de 500 milhões de eleitores. Nem venho manifestar a esperança que alguns só voltem a descobrir o gravíssimo problema da distância entre os cidadãos e os centros europeus de poder efectivo quando proximamente Marine Le Pen tiver entre 15 e 2o% nas próximas presidenciais francesas.

Não, nada disso. Venho só sugerir que Paulo Rangel seja coerente até ao fim e se bata com denodo para que estas suas ideias, e todas as suas consequências, venham a ser o núcleo central do discurso e da campanha eleitoral do PSD em próximas eleições legislativas.

É que me estava a apetecer assistir a um funeral eleitoral assim.

De novo Rui Tavares

O império da ligeireza




Na sua crónica no Público de hoje, Rui Tavares, escreve a dado passo (sublinhados meus): «Aqui chegámos, pois. Mas ainda há poucos meses, com uma maioria de esquerda no Parlamento e  meio mandato para cumprir, não houve um partido de esquerda que tenha decidido dizer aos outros partidos de esquerda ao menos isto : "Meus caros, há diferenças enormes entre nós, mas numa coisa podemos concordar: não queremos Portugal nas mãos da troika. Proponho uma coisa muito simples, que nenhum Merkozy pode impedir : vamos falar diretamente com os credores".

Face a esta tirada nada ponderada, e deixando de lado o rigor daquela referência à «maioria de esquerda», observemos então os factos passados:

1. Tanto o PCP e o BE, quer na pré-campanha quer na última campanha eleitoral, pronunciaram- se claramente contra a vinda da troika e defenderam a renegociação da dívida;

2. Neste contexto, devia saltar à vista de toda a gente de boa-fé que essa renegociação era e só podia ser com os credores;


3. Mesmo que PCP e BE tivessem explicitado, como só agora sugere Rui Tavares, que a renegociação era directamente com os credores não se vê em que é que isso teria comovido ou demovido um PS absolutamente virado para a troika e primeiro interlocutor desta.

Lamento dizê-lo a respeito de uma pessoa como Rui Tavares mas uma prosa assim não pode deixar de me parecer uma daqueles exercícios de conveniente mas lamentável equidistância entre os verdadeiros responsáveis e os que o não foram.

Mais um adequado fundo negro

Para aqui, deviam era
terem ido vestidos de cangalheiros


Como ninguém me é capaz de explicar  o que é que estas medidas («a nova lei afectará todos os actuais trabalhadores», diz o Públicotêm que ver  com a redução do défice ou com o pagamento da dívida, volto a insistir sem qualquer hesitação que o défice e a dívida estão servindo de  protecção  e cobertura para um desavergonhado e rancoroso  ajuste de contas com os direitos dos trabalhadores, para um espantoso ainda maior desiquílibrio  nas relações entre capital e trabalho e para um brutal reforço da exploração. Esses sim são os os verdadeiros nomes da coisa.

19 dezembro 2011

Quem vê fatos ...

... não vê políticas !


Como, sabe-se lá porquê, se tornou tradição, os ministros reuniram ontem todos vestidos mais ou menos em estilo negligé. Mas mal andariam todos os que negligenciaram as malfeitorias que estiveram a alinhar para 2010. A péssima qualidade desta imagem não o permite perceber mas a imagem publicada na edição impressa do Público mostra  que a única ministra ou ministro que estabeleceu algum contacto connosco  foi a da Justiça que foi apanhada tolhida pelo frio.

18 dezembro 2011

Fim do dia com ...

... o trompete de Tito Carrillo



Truth Seeker

"Bons" velhos tempos

Apreciem, está tudo e
muito mais na págima da UE



Francamente...

... é preciso lata !


Estamos, talvez sem grande surpresa, nesta espapanante farsa: o secretário-geral do partido que se absteve no último Orçamento de Estado (para 2012 e de gravosa austeridade e recessão) desafia o primeiro-ministro a «pôr fim à austeridade» e a tomar medidas para o crescimento económico e o emprego. É pois tempo de dizer cruamente que há forças políticas e centenas de milhares de cidadãos que têm legitimidade política para lançar semelhante desafio ao primeiro-ministro. Mas nunca por nunca ser o PS e António José Seguro. A não ser que, aquando da discussão e aprovação do memorandum de entendimennto com a troika, não tivessem assistido a nenhum dos inúmeros debates televisivos em que nenhum economista de qualquer orientação jamais contestou que tal memorandum era de agravamento da austeridade e contrariava o crescimento económico e a criação de emprego, provocando recessão e aumento do desemprego. A não ser que, na época, António José Seguro tivesse ido em excursão à Lua ou estivesse a escalar o Everest.

16 dezembro 2011

Nos 50 anos do assassinato de

José Dias Coelho



Dossiê sobre  José Dias Coelho no sítio do PCP
.
Discurso de José Cardoso Pires sobre Dias Coelho
na Sociedade Nacional de Belas Artes em Junho
de 1974.

J.M. Fernandes e o euro

E que tal um pouco
de seriedade e memória ?



Os leitores mais fiéis ficam avisados que até podem passar rapidamente à frente porque este post é a pura repetição, no essencial, de um  anterior sobre o mesmo assunto. É um velho problema que estou cansado de evocar aqui : ou seja, como há quem repita imperturbavelmente as mesmas coisas que já foram desmascaradas ou criticadas, então eu também de me sinto no direito de não inovar e voltar a insistir no que já insisti, quanto mais não seja para provar que não me vencem pelo cansaço.

É o caso de José Manuel Fernandes que, em artigo no Público de  hoje, volta a exprimir as suas (recentes) discordâncias e reservas à forma como oi criado e arquitectado o euro. E o facto de a sua actual principal crítica ter que ver com a simultânea falta de uma união fiscal e de uma união política (isto é, dose reforçada de federalismo) não mata  algumas perguntas cruciais: importa-se J. Manuel Fernandes de nos exibir as reservas e críticas que publicamente enunciou nas páginas do Público aquando da criação da moeda única e as provas de que não embarcou no endeusamento e nos festejos da época ? Atribuiu então J. M. Fernandes alguma importância ou signicado quando um Eurobarómetro chegou a situar nos 47% a oposição dos europeus ao euro ? Custará assim tanta a esta gente reconhecer humildemente mas com naturalidade que pensaram, coisa diferente do que pensam e dizem hoje ? Não será tempo dos comentadores e jornalistas que, volta não volta, clamam contra a impunidade dos políticos se olharem ao espelho e admitirem que as suas antigas e diferentes  opiniões não podem ser rasuradas e ficar politicamente impunes ?.

E, finalmente, para se ter um filme mais completo de como elas que se fazem e ir à imprensa da época e ver como eram tratadas as opiniões e advertências formuladas pelo PCP, por exemplo neste dossiê sobre o euro publicado em Maio de 1998 e do qual extracto a seguinte pergunta e resposta :


(...) 2. O que vai significar o estabelecimento da moeda única face às diferenças de produtividades existentes entre Portugal e os outros países aderentes à moeda única?

Segundo os dados estatísticos conhecidos, há uma diferença significativa entre as produtividades (aparentes) do trabalho, de Portugal e dos nossos principais parceiros da União Europeia: 61% face à
Alemanha, 48% face à França, 21% face à Espanha...
Isto quer dizer que se, por exemplo, numa hora de trabalho se produzem 100 dólares de valor acrescentado em Portugal, na Alemanha produzem-se 160 dólares, 148 dólares em França, 121 dólares na Espanha,...
Esta diferença de produtividades é a causa da acumulação de défices da Balança Comercial pelo país. Défices compensados, ao longo destes anos, pela sobre-exploração dos trabalhadores portugueses — que continuam a ser a mão-de-obra mais barata da União Europeia — pela redução drástica de rendimentos de outras camadas, como agricultores (desde 1986 a 1995 sofreram uma quebra de 25% no seu rendimento) e pequenos e médios empresários, pelas remessas de emigrantes, pelas receitas do turismo, pelo investimento estrangeiro (compra de empresas e terras) e também por algumas desvalorizações da moeda, feitas antes de se ter iniciado o processo de adesão à moeda única com a integração de Portugal no Sistema Monetário Europeu.
Pode a moeda única contribuir para Portugal (e outros países) vencer estas diferenças e dificuldades da sua estrutura produtiva? Os dirigentes alemães já responderam a esta questão: segundo eles, a moeda única não se destina a ajudar os países da União Europeia a vencer o seu atraso. Estes não têm outra  solução que não seja a adaptação à realidade da moeda única. O que é que isto quer dizer?  Quando desaparecer a moeda nacional (logo, não haverá mais política cambial) os países que farão parte da União Monetária, privar-se-ão de decisivos instrumentos de política económica que lhe garantem alguma margem de manobra. A sua política monetária será conduzida ao nível Europeu pelo Banco Central Europeu e alinhada pelo país ou grupo de países dominantes. A sua política orçamental deverá visar o objectivo do equilíbrio orçamental (Despesas igual a Receitas) a partir da lógica de redução das despesas, nomeadamente das despesas sociais. 
Em tais condições os factores de ajustamento (adaptação) serão os empregos, os salários, os impostos sobre os trabalhadores e outras camadas populares e as despesas sociais — educação, saúde, segurança social. É assim que os países se adaptarão à realidade da moeda única.
Os capitais — cuja circulação já livre será acelerada pela moeda única — dirigir-se-ão para os «nichos de produtividade» (países e áreas geográficas onde a produtividade é maior) para ganhar maiores lucros. Só se dirigirão para países como Portugal, caso aqui encontrem mão-de-obra «dócil» (pouco reivindicativa e pouco virada para os sindicatos) e sobretudo barata, com um mercado de trabalho flexível e fortes incentivos financeiros do Estado português. Guiados pela lógica ultraliberal da construção comunitária, os países devem melhorar a sua atractividade: via privatizações escandalosamente vantajosas para os compradores; através de benesses fiscais e outros apoios financeiros vultuosos (fundos comunitários e nacionais); aumentos da produtividade do trabalho por despedimentos massivos e pressões sobre os custos salariais. Os países e as regiões menos produtivos serão empurrados (na impossibilidade de proteger o seu mercado interno e de tempo para o desenvolvimento e modernização das suas estruturas produtivas) para o corte dos salários, a flexibilidade, polivalência e longas jornadas de trabalho, um mercado de trabalho à medida do grande capital. Esta política não cria condições de um verdadeiro desenvolvimento dos países atrasados, ela «congela» o subdesenvolvimento (relativo) dos mais débeis e arrasta os assalariados desses países para uma guerra económica impiedosa contra os seus camaradas dos outros países na concorrência salarial e na «venda de direitos sociais. Dentro da mesma lógica, esta política exacerbará as desigualdades regionais dentro de cada país e acentuará ainda mais em Portugal, um perfil produtivo assente na indústria intensiva em mão-de-obra pouco qualificada e de baixos salários, e na liquidação da pouca produção de média e alta tecnologia que o país tem.
Os adeptos da moeda única defendem (mais ou menos explicitamente) a velha tese liberal «deitam-se as empresas (há quem prefira os empresários) ao mar, as que souberem nadar, salvar-se-ão... e depois o país será reconstruído com unidades novas, modernas, tecnologicamente apetrechadas e economicamente competitivas... Não é por acaso que falam para o curto prazo de «sacrifícios» e «purgatórios» com a esperança de a médio prazo alcançarem o «paraíso»!  (...)

P.S.: Vale a pena lembrar que, há 13 anos, mais precisamente em Maio de 1998, ocorreu por toda a Europa e com grande impacto na imprensa portuguesa uma coisa chamada a «Festa do Euro» que então comentei como se pode ler aqui.